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Cia. de Dança Palácio das Artes estreia “PLURAIS – as coisas e o tempo das coisas”

O que te faz cair? O que te faz levantar? O movimento modifica o espaço ou o espaço modifica o movimento? O indivíduo modifica o coletivo ou o coletivo modifica o indivíduo? Foi a partir dessas reflexões que a Cia. de Dança Palácio das Artes (CDPA), com direção dos coreógrafos convidados Tuca Pinheiro e Jorge Garcia, e em meio à retomada de algumas atividades presenciais da Fundação Clóvis Salgado, ocupou diversos espaços do Palácio das Artes para criar a intervenção de dança “PLURAIS – as coisas e o tempo das coisas”, que contou também com a direção de cena, direção de fotografia e edição de Kleber Bassa.

Com estreia marcada para o dia 15 de agosto (domingo), às 16h, pelo canal do YouTube da FCS, “PLURAIS – as coisas e o tempo das coisas” é a terceira e última obra do projeto on-line inspirado em “PRIMEIRAPESSOADOPLURAL, um dos espetáculos mais marcantes do repertório do Cia. de Dança Palácio das Artes, que, assim como a intervenção, teve a direção compartilhada de Tuca e Jorge, em 2015.

Como o próprio nome da intervenção sugere, “PLURAIS – as coisas e o tempo das coisas” trata da diversidade das pessoas, com suas vivências particulares, e a forma como elas se inserem nos espaços. “É esse lugar de pensar o outro, de perceber o todo, da pluralidade dos nossos corpos, das nossas vivências a partir dos bailarinos da CDPA que são pessoas de vários lugares, com experiências diferentes”, explica Jorge Garcia. Embora a obra tenha como tema a pluralidade das pessoas, Tuca Pinheiro ressalta que o intuito é “levantar questões e compartilhar ideias múltiplas que procuram dar voz a corpos que hoje em dia são mais silenciados e invisibilizados”.

O vídeo “PLURAIS – as coisas e o tempo das coisas”, da Cia. de Dança Palácio das Artes, integra o projeto #PalácioEmSuaCompanhia e é realizado pelo Governo de Minas Gerais / Secretaria de Estado de Cultura e Turismo, por meio da Fundação Clóvis Salgado, e correalizado pela Appa – Artes e Cultura. É patrocinado pela Cemig, AngloGold Ashanti e Unimed-BH / Instituto Unimed-BH¹, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, além da Usiminas, por meio da Lei Estadual de Incentivo à Cultura, com apoio do Instituto Usiminas.

O vídeo “PLURAIS – as coisas e o tempo das coisas”, da Cia. de Dança Palácio das Artes, integra o projeto #PalácioEmSuaCompanhia e é realizado pelo Governo de Minas Gerais / Secretaria de Estado de Cultura e Turismo, por meio da Fundação Clóvis Salgado, e correalizado pela Appa – Artes e Cultura. É patrocinado pela Cemig,  AngloGold Ashanti e Unimed-BH / Instituto Unimed-BH¹, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, além da Usiminas, por meio da Lei Estadual de Incentivo à Cultura, com apoio do Instituto Usiminas.

¹ O patrocínio da Unimed-BH / do Instituto Unimed-BH é viabilizado pelo incentivo de mais de cinco mil médicos cooperados e colaboradores.

PLURAIS – as coisas e o tempo das coisas” | Crédito: Kleber Bassa

Em “PLURAIS”, a ideia de palco convencional (o chamado palco italiano), utilizado nos dois primeiros vídeos da trilogia, foi subvertida. Essa proposta, segundo Tuca Pinheiro, consiste em pensar em uma arte feita de forma mais orgânica que priorize também o protagonismo desses espaços. “As gravações nesses ambientes incorporam ações que não estavam previstas para serem filmadas naquele momento. É uma produção que trabalha com imprevistos e que, sobretudo, absorve as informações que essas áreas externas oferecem naquele momento de gravação. Ou seja, é a dança dialogando com os espaços”, observa Tuca.

De uma forma provocativa, há diversas cenas em que os bailarinos se movimentam segurando vários objetos com a boca. São imagens que, segundo Tuca Pinheiro, buscam retratar temas atuais, como “Vacina é para todos” e “Use Máscara”, e, ao mesmo tempo, trazer questões referentes à História do Brasil, como a exploração e a perda do ouro. As cenas em alguns momentos, de acordo com Jorge, também evidenciam o sentido e a relação que cada objeto tem no contexto social do artista em cena.

“Plurais é um grito e traz a temporalidade de forma artística. Por exemplo, a cena em que o bailarino dança com as contas é muito simbólica. Então, há uma discussão visível nesse trabalho”, explica Tuca.

 

Música

A partir de músicas que representam o sincretismo religioso e a miscigenação brasileira, formada pelos indígenas, europeus, africanos e asiáticos, a trilha sonora de “PLURAIS – as coisas e o tempo das coisas” ocupou um papel central no processo de criação do roteiro. Com intervenção sonora do músico Dan Maia, a concepção da trilha é fruto da parceria entre ele e os dois diretores da intervenção de dança, que propuseram as músicas.

“As músicas dão continuidade à discussão sobre a pluralidade. Há uma busca pelo entendimento de como a pluralidade pode propor diálogos entre as diferenças. Ainda mais neste período de pandemia, em que estamos ressignificando várias coisas, entre elas, as relações”, observa Tuca.

 

Trilogia

Formatado em uma trilogia, o projeto inspirado no espetáculo “PRIMEIRAPESSOADOPLURAL” lançou as videodanças: “PRIMEIRA – uma poética processual” e “PESSOA”. “PRIMEIRA – uma poética processual”, dirigido por Tuca Pinheiro, teve o objetivo de resgatar a potência do espetáculo “PRIMEIRAPESSOADOPLURAL”. Já “PESSOA”, dirigido por Jorge Garcia, teve como foco a abordagem dos mesmos temas sociais presentes no espetáculo de 2015, mas que permanecem rendendo discussões na atualidade. Agora, Jorge e Tuca se unem para dirigir juntos a intervenção de dança “PLURAIS – as coisas e o tempo das coisas” e finalizarem a trilogia.

 

“PRIMEIRAPESSOADOPLURAL” – A partir de uma proposta ousada e desafiadora, que reuniu, além de 20 bailarinos cocriadores, dois coreógrafos na direção do mesmo espetáculo, a Cia. de Dança Palácio das Artes (CDPA) estreou em 2015 “PRIMEIRAPESSOADOPLURAL”, que, em razão de toda a sua potência, tornou-se um dos trabalhos mais significativos do grupo. Com direção de Jorge Garcia e Tuca Pinheiro, a obra mergulhou em duas temáticas que permanecem atuais e repletas de desdobramentos: um coletivo que se organiza a partir do caos e a formação diversa do povo brasileiro. “O PRIMEIRAPSSOADOPLURAL fala de gênero, origem, etnia e de diferenças”, observa Cristiano Reis, diretor da CDPA.

 

CIA DE DANÇA PALÁCIO DAS ARTES – Corpo artístico da Fundação Clóvis Salgado – é reconhecida como uma das mais importantes companhias do Brasil e é uma das referências na história da dança em Minas Gerais. Foi o primeiro grupo a ser institucionalizado, durante o governo de Israel Pinheiro, em 1971, com a incorporação dos integrantes do Ballet de Minas Gerais e da Escola de Dança, ambos dirigidos por Carlos Leite – que profissionalizou e projetou a Companhia nacionalmente. O Grupo desenvolve hoje um repertório próprio de dança contemporânea e se integra aos outros corpos artísticos da Fundação – Orquestra Sinfônica de Minas Gerais e Coral Lírico de Minas Gerais – em produções operísticas e espetáculos cênico-musicais realizados pela Instituição ou em parceria com artistas brasileiros. A Companhia tem a pesquisa, a investigação, a diversidade de intérpretes, a cocriação dos bailarinos e a transdisciplinaridade como pilares de sua produção artística. Seus espetáculos estimulam o pensamento crítico e reflexivo em torno das questões contemporâneas, caracterizando-se pelo diálogo entre a tradição e a inovação.

 

Tuca Pinheiro – Pesquisador de dança contemporânea, com foco voltado para dramaturgia, atualmente desenvolve o projeto de metodologia intitulado “A Urgência da Ineficiência e a Errância dos corpos”. Tuca é também um profissional constantemente convidado a coordenar oficinas de criação e ministrar aulas de técnicas contemporâneas de dança no Brasil e no exterior. Assina a direção coreográfica e colaboração dramatúrgica em várias companhias, como nos espetáculos “Sem Lugar” (2002, 1° Ato Grupo de Dança), “Coreografia de Cordel” (2004, Cia. de Dança do Palácio das Artes), “Agô Arêrê (2016, Balé do Teatro Castro Alves de Salvador) e “Primeirapessoadoplural” (2015, Cia. de Dança do Palácio das Artes, em parceria com Jorge Garcia). Foi o bailarino convidado a integrar o elenco do primeiro longa-metragem de dança “Cinzas de Deus” (direção de André Semenza e Fernanda Lippi). Atualmente, ocupa a cadeira de representante da dança no Conselho Municipal de Políticas Públicas de BH.

 

Jorge Garcia – Em 1991, iniciou seus estudos em Recife. Em 1995, entrou para a Cisne Negro Cia. de Dança, sediada em São Paulo. Dois anos mais tarde, foi para o Balé da Cidade de São Paulo, onde, além de atuar como bailarino, coreografou as seguintes peças: Divinéia (2001), Desatino do Norte Desatino do Sul (2003), R.G (2006), T.A.T.O. (2012) e Árvore do Esquecimento (2015). Em 2002, coreografou também para o filme “Carandiru”, com direção de Hector Babenco. Em 2005, criou a Jorge Garcia Companhia de Dança. Juntamente com outros artistas-criadores do grupo GRUA – Gentlemen de Rua, há vários vem desenvolvendo um trabalho de pesquisa de improviso, vídeo e performances nas ruas de grandes metrópoles, como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Londres, Paris, entre outras. No ano de 2016, o GRUA realizou o projeto NAVEGANTES, que apresentou intervenções em cidades no curso do Rio São Francisco.

 

>>INFORMAÇÕES GERAIS<<

 O quê? Cinema e Patrimônio: Cozinha Mineira
 Quando? 16/08
 Entrada? Gratuita
 Informações para o público (31) 3236-7400