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Coral Lírico de Minas Gerais e Orquestra Sinfônica de Minas Gerais homenageiam Vander Lee e o centenário do clássico Atlético e Cruzeiro

Música popular e futebol são dois elementos da cultura brasileira que se relacionam desde sempre. Lamartine Babo, Jorge Ben Jor, Chico Buarque, Aldir Blanc, Samuel Rosa, Nando Reis, entre outros compositores populares, criaram clássicos do cancioneiro brasileiro que têm como tema o esporte mais popular do mundo. Vander Lee, artista mineiro que marcou história na música brasileira a partir do final da década de 1990 e que faleceu precocemente em agosto de 2016, seguiu a tradição e compôs o samba “Galo e Cruzeiro”, que conta a história de uma relação amorosa entre torcedores rivais.

Com letra bem-humorada e melodia envolvente, Galo e Cruzeiro, ao ser gravado pelo compositor, caiu na boca do povo e agora ganha nova interpretação do Coral Lírico de Minas Gerais (CLMG) e da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais (OSMG). Gravado de forma remota, o vídeo será lançado no dia 29 de agosto (domingo), às 10h, pelas páginas do Instagram e do Facebook da Fundação Clóvis Salgado.

Com direção geral de Luciana Salles, diretora Cultural da Fundação Clóvis Salgado, a obra audiovisual homenageia Vander Lee e o centenário de uma das maiores rivalidades do futebol brasileiro. A gravação conta com as participações especiais de Lucas Fainblat (voz solo), Thiago Delegado (violão de sete cordas), além das interpretações de Léo Garcia e Naline Ferraz, bailarinos da Cia. de Dança Palácio das Artes. Laura Catarina e Clara Catarina, filhas de Vander Lee, também participam da homenagem. Laura interpreta à capela Estrela, composição de Vander Lee, que encerra de maneira intimista e emocionante o vídeo. A produção possui direção musical do Maestro Titular da OSMG, Silvio Viegas, e da Maestrina Associada ao CLMG, Lara Tanaka, além de arranjo especial feito pelo pianista do CLMG, Fred Natalino, na interpretação de Galo e Cruzeiro.

Cena do vídeo com a OSMG e o CLMG

Para Silvio Viegas, música e futebol são temas que agradam a maioria das pessoas. E o futebol, como todas as paixões, acaba interferindo nas relações humanas tanto para o bem quanto para o mal. Mas quando acontece pelo lado bom é muito divertido. “Todo atleticano ou cruzeirense possui um grande amigo ou um familiar querido que torce pelo time adversário. E isso gera brincadeiras sadias, que foram captadas pelo Fred Natalino na criação do arranjo. Ele foi muito feliz ao brincar com as citações dos hinos dos dois clubes e também do América, que não poderia ficar de fora. Além disso, esse humor do futebol e da canção Galo e Cruzeiro foi incorporado de maneira brilhante pelos solistas e pela direção de cena”, explica o maestro.

Além da música, a dança foi um elemento fundamental na construção da história encenada. Naline Ferraz e Léo Garcia interpretam a relação do casal descrita na letra do samba. “Transformamos em dança a narrativa contada na canção. A ideia foi trazer o diálogo e a rotina do casal da história por meio de um olhar dançante, poético e descontraído”, revela Naline. Espaços urbanos, como um campo de futebol de várzea e A Casa – um importante reduto de shows de samba em Belo Horizonte -, compõem os cenários da obra audiovisual.

Lara Tanaka ressalta que as produções audiovisuais que dialogam com a cultura popular – como o vídeo em homenagem ao Vander Lee e aos 100 anos do clássico mineiro – têm aproximado o CLMG e a OSMG do público neste período de pandemia. “A linguagem contemporânea e popular humaniza o público, ainda mais neste momento no qual as pessoas estão mais distantes fisicamente. E a rivalidade entre Atlético e Cruzeiro faz parte do emocional coletivo do mineiro, até mesmo para quem não é torcedor declarado”, observa a maestrina.

O vídeo “Galo e Cruzeiro” integra o projeto #PalácioEmSuaCompanhia e é realizado pelo Governo de Minas Gerais / Secretaria de Estado de Cultura e Turismo, por meio da Fundação Clóvis Salgado, e correalizado pela Appa – Artes e Cultura. É patrocinado pela Cemig, AngloGold Ashanti e Unimed-BH / Instituto Unimed-BH¹, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, além da Usiminas, por meio da Lei Estadual de Incentivo à Cultura, com apoio do Instituto Usiminas.

¹ O patrocínio da Unimed-BH / do Instituto Unimed-BH é viabilizado pelo incentivo de mais de cinco mil médicos cooperados e colaboradores.

A Fundação Clóvis Salgado é integrante do Circuito Liberdade, complexo cultural sob gestão da Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais (Secult) que reúne diversos espaços com as mais variadas formas de manifestação de arte e de cultura em transversalidade com o turismo. Trabalhando em rede, as atividades dos equipamentos parceiros ao Circuito buscam desenvolvimento humano, cultural, turístico, social e econômico, com foco na economia criativa como mecanismo de geração de emprego e renda, além da democratização e ampliação do acesso da população às atividades propostas.

Amizade e Parceria

Cena do vídeo com Thiago Delegado e Lucas Fainblat

Nascido em Belo Horizonte, Vander Lee, com seu olhar poético, foi um compositor que transformou o cotidiano e temas relacionados ao amor e a recortes urbanos em contundentes baladas, como Esperando Aviões, Românticos e Onde Deus Possa me Ouvir, além de sambas bem-humorados como Chazinho Com Biscoito e Passional. A obra do artista também ficou eternizada em vozes de grandes intérpretes da música brasileira, como Gal Costa, Maria Bethânia, Elza Soares e Alcione.

“Vander Lee era muito antenado. Ele vivia entre o povo, escrevia sobre o povo e, consequentemente, estava na boca do povo. Então, era natural que na obra dele houvesse uma diversidade formada por samba, baião, balada e música pop. Vander Lee pertenceu a MPB que surgiu a partir dos anos 90. Mas antes estudou a tradição da música brasileira e acabou fazendo muitos golaços”, comentou o sambista Lucas Fainblat, que agora homenageia o amigo, cantando Galo e Cruzeiro.

Outro parceiro e amigo de Vander Lee é o compositor, músico e produtor Thiago Delegado. Ele, que carinhosamente chamava o amigo de Vandeco, assinou a direção musical de Sambarroco, o sétimo álbum da carreira de Vander Lee, gravado em 2013. “Inicialmente, o Sambarroco era um show. Depois virou um disco. O ‘Vandeco’ foi muito importante na minha carreira por ter sido o primeiro grande artista a me dar a oportunidade de produzir um trabalho. Inclusive, ele tinha o plano de gravarmos o Sambarroco 2”, relembra Delegado.

O músico também comentou sobre o jeito do amigo: “Vandeco era muito amado. Fazíamos turnê pelo nordeste e era perceptível o tanto que o público gostava dele. Era uma pessoa tímida, mas muito acessível, sem nenhum estrelismo. Lamento muito sua partida precoce e sou muito grato a tudo que ele fez por mim”.

Homenagem das filhas

“Cada oportunidade de homenagear e representar o meu pai preenche meu coração de alegria. A sensação é de continuidade e de valorizar tudo que ele deixou”. É com esse sentimento que a cantora Laura Cantarina, ao lado da irmã Clara Catarina, participa da homenagem ao seu pai. Desde quando Vander Lee se foi, a artista segue interpretando a obra do compositor e, de certa forma, dando sequência ao legado artístico construído por ele. Atualmente, Laura está produzindo seu segundo disco, que será uma homenagem ao pai.

Laura, que estudou canto lírico no Cefart, da Fundação Clóvis Salgado, define a música de Vander Lee como uma obra original, que conversa com o entendimento e o sentimento de muita gente: “Ele descrevia o cotidiano a partir de uma perspectiva leve e consciente, com melodias e arranjos repletos de afeto, sabedoria e sinceridade. Toca na alma e promove reflexões profundas, ampliando nosso entendimento sobre a vida. Sua obra inspirou e continua inspirando muitos que vieram depois dele”.

Clara Catarina, que não seguiu o caminho musical de Vander Lee e da irmã, diz não ter o hábito de participar de homenagens ao pai, mas fez questão de estar presente no vídeo Galo e Cruzeiro. “Eu quis participar porque o Palácio das Artes é um lugar que eu frequento desde criança, onde meu pai fazia muitos shows. Adorei o cenário da gravação. Amei o arranjo que fizeram com a Orquestra e o Coral. E achei a voz do Lucas Fainblat, em vários momentos, muita parecida com a do meu pai. Fiquei muito feliz”.

Lucas Fainblat – É cantor e compositor de Belo Horizonte. Lançou, em 2019, o álbum Noite de Estreia, ao lado de Vini Ribeiro. Em 2015, lançou o seu primeiro disco, o vinil “Universo Carapuça”, ao lado do bandolinista Marcos Frederico. Integrou os blocos de carnaval Moreré e Unidos do Barro Preto. Entre 2016 e 2019 encarnou o “Visconde de Fainblateira” no programa “Blablablá do Fainblat”, da Rádio Inconfidência.

Thiago Delegado – Referência no violão de sete cordas, o instrumentista e compositor mineiro se destaca por sua performance que mistura a sonoridade simples à sofisticada composição. Revelando uma profunda intimidade com seu instrumento e com uma linguagem musical sem fronteiras, Delegado incursiona por diferentes gêneros musicais: choro, samba, bossa nova e jazz. Delegado assina a direção musical de “Sambarroco”, disco de 2013, o sétimo da carreira de Vander Lee. A música que dá título ao disco é uma parceria entre os dois.

Laura Catarina – Natural de Belo Horizonte, Laura começou sua carreira na música ainda criança ao gravar com seu pai a canção “Todo Mundo Bem”, para a obra infantil “A Zeropéia”, do sociólogo Betinho (Herbert de Sousa). Em 2018, já na fase adulta, gravou seu primeiro álbum solo “Amor em si”, com direção musical de Luiz Gabriel Lopes. Atualmente, está produzindo o segundo disco, que será uma homenagem ao seu pai. A obra será financiada por uma campanha de crowdfounding.

Naline Ferraz – Formada pelo Cefart, Naline Ferraz é bailarina da Cia de Dança Palácio das Artes, coreógrafa e publicitária. Tem interesse em mergulhar e aprofundar suas pesquisas e criações em torno do movimento. Busca, constantemente, repensar o fazer artístico e expandir suas possibilidades como artista.

Léo Garcia – Iniciou seus estudos com danças urbanas e capoeira. Em 2008 ingressou na escola de dança do CEFART, no mesmo ano integrou a Cia. Mario Nascimento, onde participou das seguintes montagens: Faladores, Escapada, Território Nú, Nômade – espetáculo do qual foi premiado pelo 1º Usiminas Sinparc no ano de 2013 como melhor bailarino. Desde o final do ano de 2014 faz parte do elenco de bailarinos da Cia. de dança Palácio das Artes. Paralelamente, trabalhou como coreógrafo e diretor coreográfico no grupo Dança Jovem e Ballet nos espetáculos Vira Lata e Calunga. É idealizador do Coletivo Ubuntu e atua como diretor artístico do núcleo de dança do coletivo funkeiro Heavy Baile (RJ).

Coral Lírico de Minas Gerais – O Coral Lírico de Minas Gerais é um dos raros grupos corais que possui programação artística permanente e interpreta repertório diversificado, incluindo motetos, óperas, oratórios e concertos sinfônico-corais. Participa da política de difusão do canto lírico promovida pelo Governo de Minas Gerais, por meio da Fundação Clóvis Salgado (FCS), a partir da realização dos projetos Concertos no Parque, Lírico Sacro, Sarau ao Meio-dia e Lírico em Concerto, além de concertos em cidades do interior de Minas e capitais brasileiras, com entrada gratuita ou preços populares. Participa também das temporadas de óperas realizadas pela FCS. Já estiveram à frente do Coral os maestros Luiz Aguiar, Marcos Thadeu, Carlos Alberto Pinto Fonseca, Ângela Pinto Coelho, Eliane Fajioli, Sílvio Viegas, Charles Roussin, Afrânio Lacerda, Márcio Miranda Pontes, Lincoln Andrade e Lara Tanaka. Criado em 1979, o Coral Lírico de Minas Gerais tornou-se Patrimônio do Estado em 2018 e comemorou quarenta anos em 2019.

Orquestra Sinfônica de Minas Gerais – Considerada uma das mais ativas do país, a Orquestra Sinfônica de Minas Gerais cumpre o papel de difusora da música erudita, diversificando sua atuação em óperas, balés, concertos e apresentações ao ar livre, na capital e no interior de Minas Gerais. Criada em 1976, foi declarada Patrimônio Histórico e Cultural do Estado de Minas Gerais em 2013. Participa da política de difusão da música sinfônica promovida pelo Governo de Minas Gerais, por meio da Fundação Clóvis Salgado, a partir da realização dos projetos Concertos no Parque, Concertos Comentados, Sinfônica ao Meio-dia, Sinfônica em Concerto, além de integrar as temporadas de óperas realizadas pela FCS. Mantém permanente aprimoramento da sua performance executando repertório que abrange todos os períodos da música sinfônica, além de grandes sucessos da música popular. Seu atual regente titular é Silvio Viegas.