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“Corpo de memórias – 50 anos Cia. de Dança Palácio das Artes”

Quantos artistas integraram a Cia. de Dança Palácio das Artes (CDPA), desde a sua criação, em 1971? Quantos bailarinos e grupos artísticos se inspiraram e mergulharam no universo da dança depois de terem contato com a obra da CDPA? Quantas pessoas já tiveram a oportunidade de assistir a um espetáculo do grupo? São perguntas difíceis de quantificar, mas que ajudam a refletir e a dimensionar a sua importância artística e o seu papel enquanto uma companhia de dança vinculada a uma instituição pública, que celebra 50 anos em 2021.

Ao longo de sua história, a CDPA promove a formação de público na dança e é responsável pelo desenvolvimento e pela formação humana e artística de inúmeros profissionais. Outra característica que marca a história da Companhia é a contribuição, por meio de seu vasto repertório, para o pensamento crítico sobre a criação artística e a dança contemporânea.

De acordo com Cristiano Reis, diretor da Cia. de Dança Palácio das Artes desde 2015, o grupo tem como pilares de sua produção artística a pesquisa, a investigação, a diversidade de intérpretes, a cocriação dos bailarinos e a transdisciplinaridade. “Sobretudo nos últimos 20 anos, quando decidimos seguir a trajetória da dança contemporânea, a Cia. de Dança Palácio das Artes produz trabalhos e projetos que trazem reflexões fundamentais a respeito de temáticas do nosso tempo, promovendo processos que provocam e desenvolvem as múltiplas potências dos artistas”, destaca.

Para dar início à celebração dessas cinco décadas, fundamental para a dança de Minas Gerais, a Companhia evoca sua memória construída coletivamente, por meio dos corpos de quem a viveu e de quem ainda continua atuante em seu elenco. É a partir dessa proposta que o grupo lança o vídeo “Corpo de memórias – 50 anos Cia. de Dança Palácio das Artes”, no dia 7 novembro, às 16h, no YouTube da Fundação Clóvis Salgado.

Cena do vídeo | Imagem: Henrique Marques

Com concepção e direção de Cristiano Reis e direção audiovisual de Henrique Marques, a obra é um média-metragem, de 31 minutos, que rememora parte da história e, ao mesmo tempo, estabelece conexões com o presente e o futuro da CDPA. Também assinam o roteiro do vídeo os bailarinos Rodrigo Giése e Sônia Pedroso. Já a trilha sonora ficou a cargo do músico Dan Maia.

Durante o processo de criação do vídeo, Cristiano Reis propôs aos bailarinos que explorassem um acervo imaterial e material formado por um universo amplo de personagens, figurinos, trilhas, coreografias, narrativas, encontros, sonhos e projetos dedicados à escrita de sua história.

“O vídeo é uma memória histórica e poética, no qual o elenco da CDPA é provocado a pensar sobre essa memória que está presente e viva nos corpos dos artistas. O interessante é que existem integrantes atuais com 38, 33 ou 32 anos de serviços prestados à Companhia. Artistas que, por exemplo, viveram a experiência de trabalhar com o coreógrafo Carlos Leite, responsável pela fundação deste corpo artístico. Ao mesmo tempo, o nosso elenco também é formado por bailarinos que possuem apenas dois meses de Companhia. Desta forma, o vídeo apresenta uma pluralidade de realidades, perspectivas e memórias”, pontua.

Assim, “Relâche” (1996), “Noite Transfigurada” (1997), “Entre o céu e as serras” (2000), “Sonho de uma noite de verão” (2003), “Coreografia de Cordel” (2004), “Transtorna” (2006), “22 Segredos” (2010), “Se eu pudesse entrar na sua vida” (2011), “Branco em Mim” (2014), “Nuvens de Barro” (2016) e “Lalangue: carta à mãe” (2018) são os espetáculos presentes no enredo de “Corpo de memórias – 50 anos Cia de Dança Palácio das Artes”.

O vídeo “Corpo de memórias – 50 anos Cia. de Dança Palácio das Artes” integra o projeto #PalácioEmSuaCompanhiaintegram e é realizado pelo Governo de Minas Gerais / Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais, pela Fundação Clóvis Salgado, e é correalizado pela Appa – Arte e Cultura. Tem o patrocínio Master da CemigAngloGold Ashanti e Unimed-BH / Instituto Unimed-BH¹, além do patrocínio da Usiminas, com o apoio do Instituto Usiminas. Todos os incentivos são através das Leis Federal e Estadual de Incentivo à Cultura.

¹ O patrocínio da Unimed-BH / do Instituto Unimed-BH é viabilizado pelo incentivo de mais de cinco mil médicos cooperados e colaboradores.

A Fundação Clóvis Salgado é integrante do Circuito Liberdade, complexo cultural sob gestão da Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais (Secult) que reúne diversos espaços com as mais variadas formas de manifestação de arte e de cultura em transversalidade com o turismo.

 

OLHARES SOBRE A CDPA

 

Cena do vídeo | Imagem: Henrique Marques

Durante 38 anos, Sônia Pedroso atuou como bailarina da Cia. de Dança Palácio das Artes e, atualmente, é assistente de direção do grupo. No momento, dentre todos os integrantes da CDPA, é a mais antiga. “Eu entrei aqui jovem. A Companhia representa a minha própria vida. Esse grupo é a minha memória, a minha história”, comemora.

Para o bailarino Fernando Cordeiro, todos que ajudaram a construir esses 50 anos, como os bailarinos e os profissionais das áreas técnicas e administrativas da FCS, fazem parte da memória do grupo. “O principal é reforçar a verdadeira natureza da Companhia, o seu caráter público de ser inclusiva, múltipla, abrangente para conseguir levar a arte para o maior número possível de pessoas”, afirma.

Silvia Maia, ex-integrante da CDPA, concedeu um depoimento para o vídeo justamente no seu último dia de trabalho pela Companhia. A jovem artista, que atuou por três anos e três meses e hoje atua no exterior, ressalta que esta coincidência foi muito simbólica: “Estou feliz e muito grata. Consigo perceber que a minha participação nessa história foi durante um momento de transformação. Eu tenho muito orgulho de tudo que fiz na Companhia, até porque a minha relação com a CDPA é política. A arte é política”.

 

50 ANOS DE TRAJETÓRIA

 

A Cia. de Dança Palácio das Artes é uma companhia de dança contemporânea e um dos corpos artísticos geridos pela Fundação Clóvis Salgado. Sediada no Palácio das Artes, apresenta-se muitas vezes com a Orquestra Sinfônica de Minas Gerais e com o Coral Lírico de Minas Gerais.

Fundada em 1971 pelo ex-bailarino do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, mestre de balé e coreógrafo Carlos Leite, a companhia foi criada através da união dos integrantes do Ballet de Minas Gerais e da Escola de Dança, ambos dirigidos pelo coreógrafo. Desde a sua criação, o grupo já apresentou em palcos de destaque, nacionais e internacionais, nas capitais e em países como Cuba, França, Palestina, Jordânia, Líbano e Portugal.

O grupo dedicou-se exclusivamente à montagem de grandes peças de repertório de balé clássico e às operas produzidas pela Fundação Clóvis Salgado. No entanto, em 1999, a Companhia rompeu com a linguagem clássica e deu início ao método bailarino-pesquisador-intérprete, que propõe a legitimação do bailarino como sujeito de sua própria dança, sendo até hoje uma das principais características da atuação da CDPA. Seus espetáculos estimulam o pensamento crítico e reflexivo em torno das questões contemporâneas, caracterizando-se pelo diálogo entre a tradição e a inovação.

Atualmente, a companhia desenvolve repertório de dança contemporânea e atua nas produções operísticas do Palácio das Artes e em espetáculos cênico-musicais, trabalhando também em parceria com artistas convidados. É reconhecida como uma das mais importantes companhias do Brasil e uma das referências na história da dança em Minas Gerais.

Já passaram pela Cia. de Dança Palácio das Artes, como diretores e/ou coreógrafos nomes importantes da dança e das artes cênicas, como Cristina MachadoJoaquim Elias, Jorge Garcia, Luiz Arrieta, Luís MendonçaLydia del PicchiaMorena NascimentoSônia MotaTíndaro Silvano e Tuca Pinheiro, dentre tantos outros.

 

>>INFORMAÇÕES GERAIS<<

O quê? “Corpo de memórias – 50 anos Cia. de Dança Palácio das Artes”
 Quando? 07/11 às 16hs
 Entrada? Gratuita
 Informações para o público (31) 3236-7400