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2º Prêmio Décio Noviello de Artes Visuais | Erre Erre e João Angelini

A Fundação Clóvis Salgado inaugura duas novas exposições do 2º Prêmio Décio Noviello de Artes Visuais, que ocuparão as galerias Genesco Murta e Arlinda Corrêa Lima de 25 de janeiro a 12 de março de 2022. Foram contemplados os artistas visuais João Angelini (DF) e Erre Erre (MG), com as exposições “Do que fomos feitos e o que deixamos” e“Quero dançar sobre as ruínas dos reinos da escuridão”, respectivamente. Construídas a partir de múltiplos suportes, as mostras contarão com pinturas, desenhos, colagens, gravuras, objetos, apropriações artísticas, site specific, instalações, holografias e fotografias. A nova edição do Prêmio Décio Novielo de Arte Visuais busca refletir, a partir dessa diversidade de suportes, sobre o próprio gesto de se construir arte, investigando linguagens e a potência da materialidade enquanto conteúdo ativo que traz significado por si só.

Em Do que fomos feitos e o que deixamosJoão Angelini explora os processos manuais e laborais de criação artística, confrontando-os com os labores dos trabalhadores da nossa sociedade, trazendo discussões sobre ocupação territorial, geopolítica e economia. Já Erre Erre constrói suas ruínas a partir da união de diversos fragmentos artísticos que fizeram parte de toda temporalidade de sua carreira. Quero dançar sobre as ruínas dos reinos da escuridão cria narrativas que se reformulam, a partir das mãos do próprio artista, com o tempo.

Governo de Minas Gerais e a Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais, por meio da Fundação Clóvis Salgado, apresentam o 2º Prêmio Décio Noviello de Fotografia. A mostra tem a correalização da APPA – Arte e Cultura, patrocínio máster CemigAngloGold AshantiArcellorMittal  e Unimed-BH / Instituto Unimed-BH¹, e patrocínio prata da Vivo. Todos os incentivos são via Lei Federal e Lei Estadual de Incentivo à Cultura.

 

 

¹ O patrocínio da Unimed-BH / Instituto Unimed-BH é viabilizado pelo incentivo de mais de cinco mil médicos cooperados e colaboradores.

 

Sobre as exposições:

 

Do que fomos feitos e o que deixamos, de João Angelini

“É importante ressaltar que não sou apenas um artista visual brasileiro. Nem todo brasileiro é o mesmo brasileiro”, destaca João Angelini, ao se posicionar como um artista visual não-sudestino, mas do interior do Centro-Oeste, da cidade de Planaltina (DF). “Isso é muito importante para entender meu percurso profissional e minha produção poética autoral. Primeiro que, como qualquer artista não-sudestino, tive que me formar e me estabelecer sem acesso à fartura dos equipamentos de formação e promoção de artes nacionais, destaca.

O Prêmio Décio Noviello é a primeira mostra individual de Angelini fora do Centro-Oeste, e o artista a considera parte muito importante de seu trabalho. “Também vai ser minha primeira história em Belo Horizonte, lugar que curto muito e que há alguns anos virou um dos alvos para escoar minha produção, pois sei da riqueza e efervescência que é a cidade e o seu circuito cultural e mercadológico. Acredito que essa exposição será um belo primeiro passo e estou muito grato pela comissão de seleção ter visto meu projeto e acreditado no trabalho”, celebra.

Do que fomos feitos e o que deixamos tem curadoria do próprio artista em parceria com Aldones Nino, e contará com todos os processos e gestos que Angelini tem usado em suas produções. “Isso significa que teremos obras de animação baseadas nas imagens sequenciais, pinturas a seco, site specific, desenhos, gravuras, objetos, apropriação, instalações, holografias mambembes, performance, fotografia e outras coisinhas difíceis de definir em categorias”, conta o artista.

Segundo Angelini, a mostra começou a ser construída a partir de 2018, como uma das etapas da organização para orientar sua produção. Partindo de algumas obras já finalizadas e identificando alguns conceitos e discussões, o artista construiu uma composição curatorial narrativa, conceitual e material. Algumas obras inéditas também foram criadas para compor a mostra. “São várias as linhas que podemos considerar para entender essa aproximação. Desde os processos laborais e manuais na produção dessas obras em conversa com os labores dos trabalhadores da nossa sociedade, até discussões mais definidas de ocupação territorial para a formatação da nossa geopolítica e economia. Além de várias outras coisas não previsíveis que poderão ser identificadas pelo público”, cita. “Entregaremos na exposição obras bem diversas, que buscam refletir sobre o seu próprio gesto e fazer, que investigam possibilidades de outros processos dentro de algumas linguagens já definidas. Trabalhos que se apoiam no formato, materialidade e no gesto enquanto conteúdo ativo das significações das suas dimensões narrativas de representação. Onde forma e gesto são conteúdos”, explica.

Quero dançar sobre as ruínas dos reinos da escuridão, de Erre Erre

Quero dançar sobre as ruínas dos reinos da escuridão marca, para o artista mineiro Erre Erre, um tempo de colheita que se estende ao longo dos últimos dez anos. “A exposição abarca muitas ‘técnicas’. Ela flui do desenho para a pintura, monotipia, colagem, animação, som. Vou fluindo para o que me convoca, tentando achar alguma maneira de tocar/trocar com o que me chama”, explica o artista, que destaca o conceito de ruína como norteador do trabalho. “A mostra se dá numa ordem de ruína, de fragmentos, de imagens, de vestígios que duram no tempo: os coleciono e produzo, nisso, vão surgindo órbitas entre essas partes, elas vão se encontrando, se chocando, algo as anima. Talvez o tempo”.

Alguns trabalhos que compõem a exposição de Erre Erre possuem intervalos de produção chegando a até dez anos. Segundo o artista, sua relação com suas obras se mantém sempre em campo vivo, e ele permanece atualizando-as. “Em síntese, a exposição se estrutura sobre essa ideia de ruína, literal ou simbólica, pois ela nos atravessa seja em nossos pensamentos, em nossos gestos, nossas culturas, nossos hábitos, nossas relações. Habitamos esse lugar entre o que foi, o vivido em nós – e antes de nós, e ao nosso redor, e o que está sendo, o acontecimento, a vida, os desejos, o instante”, reflete o artista.

Erre Erre conta ainda não saber precisar as contribuições que se desdobrarão a após integrar essa premiação, mas destaca que por hora lhe é muito valiosa a oportunidade de poder “apresentar e compartilhar esta exposição em Belo Horizonte, cidade que habita há dez anos, no prestigiado Palácio das Artes, que tem um papel importante na cena local, o que já representa do ponto de vista simbólico um acontecimento valioso, pois amplia as possibilidades de diálogo e de troca”.

Segundo Erre Erre, optar por cultivar uma prática artística e poética nos dias de hoje é nadar contra a corrente e conviver com muitos desafios. “O que colocamos nesse combate é nossa própria história, nossa vida, nossos corpos, nossas falhas, nossas limitações e subjetividades, em suma, o campo do vivo contra as normas fantasiosas dessa engrenagem perversa que chamam de ‘realidade’”, conta o artista. Para Erre Erre, as conquistas vão além do campo sistêmico das artes, tendo grande importância o trabalho durante o processo. “O ganho real se dá nessa própria criação de si, da afirmação dos desejos, da relação com o mundo e com as escutas. O fazer artístico, poético, amplia e movimenta essas possibilidades, por isso insisto nele”.

 

>>INFORMAÇÕES GERAIS<<

O quê? 2º Prêmio Décio Noviello de Artes Visuais | Erre Erre e João Angelini

Quando? 25/01 a 12/03

Onde? Galeria Genesco Murta e Arlinda  Corrêa Lima

Entrada?  Gratuita 

Informações para o público (31) 3236-7400

FONTE: FUNDAÇÃO CLÓVIS SALGADO