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Cultura

Dia Nacional da Bossa Nova

Marco na Música Popular Brasileira e mundial, a Bossa Nova foi o primeiro grande produto brasileiro exportado e cultuado em todo o mundo

O dia 25 de janeiro é um dia especial para os brasileiros e para todos os amantes da Música Popular Brasileira, pois ele é o Dia Nacional da Bossa Nova. O dia 25 de janeiro foi escolhido como o Dia Nacional da Bossa Nova por ser o dia de nascimento do Maestro Tom Jobim, sendo definido pela lei 11.926, que foi sancionada em abril de 2009. Tom Jobim, João Gilberto e Vinícius de Moraes foram os principais nomes desse movimento musical nascido no Rio de Janeiro, reunindo elementos do samba e do Jazz, no final da década de 1950.

Antônio Carlos de Almeida Jobim nasceu no Rio de Janeiro em 1927. Ele é considerado o maior expoente de todos os tempos da Música Popular Brasileira. Filho de diplomata gaúcho, Jobim pensou em ser arquiteto, chegando a cursar o primeiro ano da faculdade e até a se empregar em um escritório, mas logo desistiu e decidiu ser pianista. Tocava em bares e boates em Copacabana, como no Beco das Garrafas no início dos anos 1950, até que em 1952 foi contratado como arranjador pela gravadora Continental. Além dos arranjos, também tinha a função de transcrever para a pauta as melodias de compositores que não dominavam a escrita musical. Morador de Ipanema, zona sul carioca, Tom fez parte de uma geração de músicos, cantores e compositores que deram alma e vida à Bossa Nova, levando a música brasileira aos maiores palcos do mundo, influenciando grandes artistas ao redor do planeta.

A primeira gravação

Considerado um ritmo urbano, a Bossa Nova foi se consolidando na intimidade das festas e encontros nos apartamentos e nas boates da Zona Sul do Rio de Janeiro, principal reduto da classe média na época e ponto de encontro de estudantes e artistas. Inicialmente o termo era apenas usado como um novo modo de cantar e tocar naquela época. Mas foi o samba de João Gilberto, Chega de Saudade, que serviu de marco para a Bossa Nova, sendo a primeira gravação da nova música que nascia.

Em março de 1959 a gravadora Odeon lançou o disco Chega de Saudade, do cantor, violonista e compositor João Gilberto que cantava baixinho e discretamente, onde o acompanhamento do violão possuía uma batida e uma harmonia diferentes, abrindo novo caminho para a nova música. “Devo argumentar que isso é muito natural, é a bossa nova”, dizia João Gilberto.

A Bossa Nova lançou não apenas uma nova maneira de tocar e de cantar, mas também uma constelação de novos compositores, letristas e instrumentistas. João Gilberto, Tom Jobim, Roberto Menescal e Carlinhos Lyra logo despontaram entre os representantes mais expressivos. Interessados inicialmente no jazz, único tipo de música popular que permitia uma execução instrumental evoluída, foram aos poucos colocando a técnica em função da música brasileira.

Em termos musicais, a Bossa Nova evoluiu no sentido do desenvolvimento da criação melódica, as canções tornaram-se mais difíceis de serem entoadas, pois as complicadas incursões melódicas exigiam um encadeamento harmônico mais evoluído. Além disso a Bossa Nova trouxe a orquestração econômica, nascidas em apartamentos.

Foi a ruptura que a Bossa Nova fez no cenário musical brasileiro – não era mais necessário a impostação de voz para cantar e as letras abordavam novas temáticas além da dor de cotovelo –  que abriu caminho para uma legião de novas cantores e compositores que despontava na época, precursora dos grandes festivais da canção.

Entre tantos artistas que fizeram a Bossa Novas, tantos discos e gravações, dois fatos merecem destaque no Dia Nacional da Bossa Nova, a apresentação dos artistas brasileiros no Carnegie Hall, em Nova York, em 1962, templo sagrado da música Americana, e a gravação de Frank Sinatra de Garota de Ipanema, com a participação especial de Tom Jobim. Esses foram dois momentos da maior importância para a música e a cultura brasileiras, pois elas se fizeram respeitadas internacionalmente, sendo as primeiras manifestações de nossa cultura fora do Brasil e em palco e participantes dos mais importantes.

Duas noites nos Estados Unidos

No ano de 1962 a Bossa Nova viveu um dos capítulos mais importantes da sua existência, que mudou o rumo da sua história, da música brasileira e de seus principais protagonistas. Foi a noite da Bossa Nova para os americanos verem e ouvirem ao vivo e em cores, em um dos seus maiores templos culturais: o Carnegie Hall, de Nova York.

A apresentação nos Estado Unidos começou a ser organizada meses antes, quando o executivo da gravadora Audio Fidelity, Sidney Frey, veio ao Brasil e conheceu o lendário Beco das Garrafas, no Rio de Janeiro, reduto de artistas e compositores. A ideia de Sidney previa apenas a apresentação de Tom Jobim e João Gilberto nos Estados Unidos, o que acabou levando inúmeros integrantes da Bossa Nova para o show, que contou com a ajuda do Governo Brasileiro, por meio do Itamarati. Os músicos brasileiros que se apresentaram no Carnegie Hall eram todos jovens, liderados por Tom Jobim e João Gilberto, estavam Luiz Bonfá, Oscar Castro Neves, Sérgio Mendes, Roberto Menescal, Carlos Lyra, Chico Feitosa, Milton Banana, Sérgio Ricardo, Normando Santos, Dom Um Romão, Agostinho dos Santos e outros nomes menos conhecidos.

Na plateia, alguns nomes da primeira linha do Jazz: o cantor Tony Bennett, os trompetistas Dizzy Gillespie e Miles Davis, os saxofonistas Gerry Mulligan e Cannonball Adderley, o flautista Herbie Mann, o The Modern Jazz Quartet. E muitos deles, inclusive, foram recepcionar o time de músicos brasileiros no aeroporto quando eles chegaram a solo americano.

Após a lendária apresentação do Carnegie Hall em 1962, Tom Jobim viria a ter novo protagonismo em solo americano, agora ao lado de Frank Sinatra, em 1967. Sinatra convidou Jobim para participar de um especial para a TV Americana, cantando com o maestro ao violão a canção Garota de Ipanema, que se tornou uma das músicas mais gravadas em todo o mundo, ficando apenas atrás de Yesterday, dos Beatles.

Com o passar dos anos, vamos constatando o valor e a importância da cultura para um país, pois a Bossa Nova é conhecida e reverenciada em todo o mundo e fez o Brasil assumir um protagonismo na música popular mundial, sendo até os dias de hoje um dos nossos maiores cartões postais e um dos mais importantes artigos de exportação.