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PALÁCIO DA LIBERDADE RECEBE FESTIVAL BRASIL-LUXEMBURGO

 Foto:  Petrônio Souza

Como parte da programação do Festival, os jardins do Palácio da Liberdade receberam um contêiner, batizado de Quiosque [L]AÇO, contendo exposição transmídia, com exibição de pílulas do documentário interativo “A Colônia Luxemburguesa”

A primeira edição do Festival Brasil-Luxemburgo vem celebrar os 100 anos de relações entre Brasil e Luxemburgo, marcadas desde o início pela atividade da siderurgia, na primeira metade do século XX. Ponto central do Festival foi a adaptação de um contêiner em um “Quiosque [L]AÇO”, que busca fazer essa analogia da união, esse laço, entre Brasil e Luxemburgo por meio da siderurgia, da produção do aço. O Quiosque (L)AÇO abriga a exposição transmídia que resgata todo esse histórico, toda essa ligação, apresentando os momentos mais marcantes nessa relação entre os países que celebram agora seus 100 anos. 

Estruturada em iPads que se conectam, a exposição transmídia é toda vivenciada de maneira interativa, tendo como referência os vários pontos abordados pelo documentário “A Colônia Luxemburguesa”, dirigido pela historiadora Dominique Santana (LUX) e produzido pela Samsa Film – maior produtora cinematográfica de Luxemburgo.  

Na manhã da última sexta-feira (04), os jardins do Palácio e o Quiosque [L]AÇO receberam a visita de alunos da ASSPROM –  Associação Profissionalizante do Menor de Belo Horizonte – que desenvolve importante trabalho de formação e orientação profissional de adolescentes e jovens de famílias em situação de vulnerabilidade social. Seus programas têm como objetivo a inclusão social e o exercício da cidadania plena. 

Divididos em três grupos para a visitação, os jovens da ASSPROM puderam ver de perto toda a estrutura do Quiosque (L)AÇO, interagindo com os Ipads e conhecendo um pouco mais da ligação histórica existente entre o Brasil e Luxemburgo. Além disso, por meio do Programa Receptivo e Educativo do Palácio da Liberdade, eles puderam vivenciar ainda a mediação nos jardins, com a equipe educativa do espaço. Para os alunos da ASSPROM, essa foi uma oportunidade única de conhecer um pouco mais a história de Belo Horizonte e poder ver de perto uma joia da arquitetura nacional, o Palácio da Liberdade e seus jardins históricos. Após a visita ao Quiosque (L)AÇO, os grupos seguiram para a visita  mediada aos jardins do Palácio da Liberdade e de todas as suas histórias e beleza. 

Foto:  Petrônio Souza

O Festival Brasil-Luxemburgo

O Festival Brasil-Luxemburgo foi lançado no Palácio da Liberdade no último dia 26 de fevereiro. Promovido pelo Consulado Honorário de Luxemburgo em Minas Gerais, com apoio da Embaixada de Luxemburgo e da Secretaria de Estado de Cultura e Turismo (Secult), o Festival integra a parceria firmada a partir da assinatura de protocolo de intenções entre Secult e a Embaixada de Luxemburgo, em reunião realizada pelo secretário de Estado de Cultura e Turismo, Leônidas Oliveira, e o embaixador de Luxemburgo no Brasil, Carlo Krieger, em novembro de 2021.

Devido ao cenário pandêmico, o lançamento do Festival Brasil-Luxemburgo foi fechado, restrito à imprensa e convidados. A abertura contou com apresentação musical da Orquestra Sesiminas Musicoop, a exposição transmídia e a pré-estreia do documentário interativo “A Colônia Luxemburguesa”, no Belas Artes. A transmissão foi ao vivo para Esch-Alzette, a segunda maior cidade de Luxemburgo que, na mesma data, recebeu o título de Capital Europeia da Cultura. 

De acordo com o secretário Leônidas Oliveira, a primeira edição do Festival Brasil-Luxemburgo celebra, para além dos laços construídos pelos dois países em um século, as relações sociais proporcionadas pelo encontro de duas culturas distintas. O evento propõe descobertas, encontros e reflexões capazes de conectar, ainda mais, as duas nações. “A tradição mineradora vem transformando Minas Gerais. Mas muito mais do que isso, temos um legado surpreendente com a mineração. Os maiores sítios barrocos estão aqui e são, também, patrimônio histórico da humanidade. O legado cultural entre montanhas se forma a partir do mineiro, quando nos denominamos assim, nos colocamos como filhos da mineração. Uma atividade que trouxe e traz, obviamente, questões, dilemas e desafios em relação à sustentabilidade e ao meio ambiente, e proporciona reflexões sobre o mundo em que estamos vivendo”, apontou.

 Foto:  Filipe Matos

Um resgate histórico

O Festival Multicultural Brasil-Luxemburgo é baseado na histórica relação entre os dois países, criada a partir de atividades mineradoras e siderúrgicas. O evento aborda múltiplos conceitos relacionados à memória do povo mineiro e da população brasileira, a partir das lembranças dos moradores mais antigos do bairro Luxemburgo, um dos mais centrais e tradicionais de Belo Horizonte.

A proposta do festival é valorizar a produção cultural e artística mineira e favorecer a ascensão de produtores culturais e artistas brasileiros na Europa e a divulgação de aspectos ainda desconhecidos da história da relação entre os países. Totalmente gratuito, o evento terá apresentações musicais, exibição de filmes e fotografias. Destaque para o documentário  “A Colônia Luxemburguesa”, de Dominique Santana, sobre a relação entre os dois países.

O embaixador luxemburguês no Brasil, Carlo Kireger, lembrou que a produção cultural é aspecto relevante para narrar as histórias surgidas a partir das relações firmadas entre os povos. “O documentário de Dominique Santana nos mostra os laços de dois países que trabalham juntos, e a indústria siderúrgica mineira está presente em Esch-Alzette 2022, a capital cultural da Europa, contando tudo o que foi criado a partir do trabalho dos nossos países”, pontuou.

Programação

A partir de 4 de março, o público de todo Brasil pode viajar pela história cultural e comercial das relações entre Minas e Luxemburgo pela plataforma digital (www.colonia.lu). Um dia antes, em 3 de março, com exclusividade, os mineiros têm acesso a esse percurso, por meio de um quiosque de aço instalado no jardim do Palácio da Liberdade.

O espaço intitulado [L]AÇO – referência à siderurgia, ao afeto e à memória – abrigará na data, de 9h às 16h, uma exposição transmídia gratuita (ingressos no Sympla), com iPads que conectam, de maneira interativa, ao documentário “A Colônia Luxemburguesa”. O filme foi dirigido pela historiadora Dominique Santana (LUX) e produzido pela Samsa Film – maior produtora cinematográfica de Luxemburgo.

Foto: Filipe Matos

E o Festival continua de 9 de março até outubro de 2022, em João Monlevade (MG) – símbolo da siderurgia em Minas, com grande influência luxemburguesa. A localidade recebe exposição de fotografias históricas sob curadoria de Clarice Fonseca, que também assina a produção do evento. A artista plástica brasileira-luxemburguesa Joanna Scharlé expõe, na Prefeitura da cidade, uma série inédita com recorte na sua produção mais recente, mesclando pintura em acrílica, nanquim e telas produzidas com técnica mista.

O quiosque de aço que carrega a exposição transmídia também será montado na Praça do Povo, em João Monlevade (MG). Ao lado da estrutura, uma padaria produzirá, durante o Festival Brasil-Luxemburgo, o bolinho de carnaval – típico quitute da culinária luxemburguesa, com receita exclusiva desenvolvida pela embaixatriz Nicole Krieger.

 Foto: Petrônio Souza

Além de trechos do documentário, é possível visitar também pela plataforma, um mapa interativo e animado de João Monlevade da década de 1950, com fotografias, filmes históricos, e ter acesso ainda a micro-histórias de alguns personagens que resgatam as memórias da colônia luxemburguesa, em Minas.

“Nossa intenção é realizar um festival multicultural com foco na memória, na gastronomia e nas artes, que esteja pautado na histórica relação entre o Grão-Ducado de Luxemburgo e o Brasil. Nesta primeira edição, vamos destacar a intrínseca relação entre Minas Gerais e Luxemburgo, passando pela história da Mineração e da Siderurgia e pela história dos descendentes de luxemburgueses que vivem em Minas Gerais há 100 anos. É uma celebração de todos os laços e semelhanças que ligam Luxemburgo e Brasil”, afirma Carlo Krieger, embaixador de Luxemburgo no Brasil

De acordo com o embaixador Carlo Krieger, “a cidade de Esch-Alzete – conhecida por sua terre rouge, com alta concentração do ferro – carrega uma tradição industrial e siderúrgica como Minas. Hoje a cidade é um centro de inovação: local da universidade de Luxemburgo, dos centros de pesquisa e da sala de concertos, a Rockhal. Esta nova percepção da região como um destino turístico cultural atraente, com uma forte identidade regional e apelo internacional, vai além das fronteiras europeias. O Festival Brasil-Luxemburgo e o projeto ‘Colônia luxemburguesa’ em Minas Gerais afirmam os fortes laços entre Luxemburgo e Brasil. Ao mesmo tempo, é um lembrete de que a cultura fortalece nossos laços e nos une”, reforça.

A historiadora e diretora do documentário Dominique Santana, nascida em Luxemburgo, mas com raízes também brasileiras, conta que passou a infância nas terras vermelhas do sul luxemburguês. Durante as filmagens do documentário “A Colônia Luxemburguesa”, em novembro e dezembro de 2020, das oito cidades brasileiras visitadas, foi em Minas que a pesquisadora se sentiu mais em casa. “Uma experiência incrível. Além de João Monlevade possuir uma forte influência dos colonos luxemburgueses que vieram trabalhar na siderurgia, no século XX, tudo parecia familiar: aquela terra vermelha, a cidade industrial, as casas dos engenheiros, operários, o cassino, vários símbolos da minha infância, só que com um sol maravilhoso e um céu azul que aqui não há. Era uma versão mais montanhosa, tropical e brasileira do sul do Luxemburgo”, relata. 

O documentário interativo e os quiosques [L]AÇO, que literalmente conectam as regiões mineiras do Brasil e do Luxemburgo, fazem parte da pesquisa de doutorado de Dominique em História Pública Digital – área ainda vista como vanguarda pela academia. Segundo a historiadora, a história pública digital utiliza a tecnologia e o diálogo entre diversas mídias como suporte para construir a história junto com a sociedade, tornando-a mais acessível e democrática. “Em vez de colocar minha pesquisa num livro, optei por torná-la mais próxima por meio de um documentário interativo”. Ela acrescenta que é importante empoderar as pessoas por meio da construção colaborativa. “Essa ideia de história como processo evolutivo, que pode também ser colaborativo, é um exercício bem inovador do ponto de vista acadêmico e historiográfico. Acredito muito nesse jeito de fazer história, com impacto na sociedade. A mágica acontece no contato direto com o público”.

O documentário interativo pode ser visto na íntegra ou por capítulos e poderá ser acessado do quiosque L[AÇO], exclusivamente para os mineiros, somente no dia 3 de março, quinta-feira, na cidade de Belo Horizonte, e a partir de 9 de março, quarta-feira, em João Monlevade (MG). No dia 4 de março, sexta-feira, o documentário interativo estreia e fica disponível para todo Brasil pela plataforma www.colonia.lu. Durante a navegação, o público assiste a trechos da obra construída a partir de informações e arquivos fornecidos pelo Arquivo Público Mineiro, pela ArcelorMittal Brasil (antiga ARBED Belgo Mineira), pelo Museu de Imagem e Som e pelo CNA – Centro de Audiovisual de Luxemburgo, além de filmes e fotografias cedidos pelas famílias de colonos e de moradores de João Monlevade, nos anos 50.

Foto: Petrônio do Souza

Além de trechos do documentário, é possível visitar também pela plataforma, um mapa interativo e animado de João Monlevade da década de 1950, com fotografias, filmes históricos, e ter acesso ainda a micro-histórias de alguns personagens que resgatam as memórias da colônia luxemburguesa, em Minas. “A proposta é construir uma obra coletiva. As pessoas podem inclusive acrescentar e editar o conteúdo. Por exemplo, quando aparece uma foto com dois personagens que nós da equipe não identificamos, o próprio usuário pode conhecer e adicionar a informação, seja no site www.colonia.lu ou presencialmente nas instalações do [L]AÇO.