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CINEMA: 50 ANOS DE O PODEROSO CHEFÃO

Um dos maiores filmes de todos os tempos completa neste ano o aniversário de seus 50 anos de lançamento. Estamos falando em nada mais, nada menos, que dO Poderoso Chefão, uma trilogia que começou no ano de 1972, e desde então tem arrebatado fãs, colecionadores e acumulado prêmios e homenagens em todo o mundo.

Dirigido por Francis Ford CopPola, um dos maiores diretores da história do cinema, “O Poderoso Chefão” tem o título original de “The Godfather” (O Padrinho), e traz dois grandes atores mundiais em seu elenco: Marlon Brando no papel de Don Vito Corleone e Al Pacino como Michael Corleone. 

Baseado no livro de Mario Puzo, o filme é inspirado na Máfia Italiana, e retrata uma respeitada e influente família envolvida no crime organizado de Nova York, chefiada por Don Corleone, um homem calmo, mas ao mesmo tempo poderoso e ameaçador, a quem as pessoas se referem como “padrinho”. Logo de cara, somos apresentados a ele e a sua família descendente de italianos durante o belíssimo casamento de uma de suas filhas, Connie (Talia Shire), enquanto ele discute negócios com Bonasera (Salvatore Corsitto), cuja filha foi espancada por bandidos e agora ele pede a Don Corleone que faça vingança, o que mais tarde acaba deixando a família Corleone em risco e obrigando o sensível e educado filho mais novo, Michael Corleone (Al Pacino), a agir para proteger a família.

50 anos depois, o filme é uma grande referência cinematográfica em muitos aspectos, seja no roteiro bem amarrado, onde tudo que acontece é aproveitado, seja na narrativa que se encerra de maneira cíclica, seja na construção de personagens complexos, na não-linearidade deles, ou nos olhares intensos de Al Pacino e na convincente e equilibrada atuação de Marlon Brando, a ponto de torcermos para que aqueles criminosos tenham sucesso, ou na fotografia que consegue aliar suavidade retrô com cores quentes e granulação leve, ao mesmo tempo que utiliza o contraste de sombras no rosto do Don Corleone, com closes bem colocados, tornando-o poderoso e misterioso, remetendo à fotografia de “Cidadão Kane” e “A Marca Da Maldade”, os dois filmes mais famosos de Orson Welles.

Embora tenha alguns tiroteios, não chega a ser um filme de ação, e sim de diálogos e reviravoltas. Um expectador desavisado pode se equivocar achando o filme arrastado, provavelmente por esperar um filme de ação, que não é o caso. No entanto, apesar de possuir três horas de duração, todas as cenas contribuem para o andamento do filme. De pontos negativos, há apenas com alguns mínimos erros de continuidade em cenas de tiroteio, algo comum para a época.

Legado

O Poderoso Chefão não apenas modificou a fama dos “filmes de máfia”, influenciando de Scorsese a Tarantino e Fernando Meirelles (em Cidade de Deus). Também abriu caminho para os blockbusters. Isso mesmo. Não foram nem Tubarão (Jaws, 1975, de Steven Spielberg) nem Star Wars (1977, de George Lucas). O modelo de lançamento “arrasa quarteirão” iniciou com The Godfather.

Antes os grandes filmes estreavam primeiro nos principais cinemas das grandes cidades. Só após o êxito nestas salas iam para os demais bairros, cinemas menores, periféricos e outros municípios. O longa de Coppola não: estreou em diversas redes de exibição ao mesmo tempo e mudaria o tipo de negociação feita entre distribuidores e exibidores, fazendo estes pagarem mais pelo filme e de maneira adiantada, garantindo lucros exorbitantes aos estúdios. A primeira parte da saga Corleone se tornaria, naquela época, a maior bilheteria de todos os tempos, superando …E o Vento Levou (1939), que precisaria de vários relançamentos para voltar ao topo.

A obra ressuscitaria a carreira de Marlon Brando – vencedor do Oscar pelo papel e que enviaria uma atriz fantasiada de indígena em seu lugar para receber a estatueta, em protesto pela maneira como os índios eram retratados em Hollywood. The Godfather foi indicado a dez Oscars e venceu, além de Melhor Ator, as categorias de Melhor Filme, Melhor Roteiro Adaptado (Coppola e Puzo).

Mario Puzo era jornalista e escritor, de família italiana nascido em Nova York. Ficou mundialmente conhecido por seus livros de ficção sobre a máfia. Muitos dos seus livros descrevem a herança siciliana. Por suas matérias jornalísticas, Puzo sabia de muitas histórias da Máfia, e o resultado foi The Godfather, em 1969. O livro deu uma nova vida para Mario Puzo, narrando a emocionante e violenta história de Don Vito Corleone. O romance transformou o autor em uma celebridade literária. Foi a sua obra-prima.

Outro grande marco de O Poderoso Chefão foi sua trilha sonora, assinada por Nino Rota. Nino na verdade era Giovanni Rota Rinaldi, que ficou conhecido por ter composto trilhas para o cinema. Nascido em Milão em 1911, no seio de uma família de músicos, o seu trabalho no mundo do cinema data desde os anos de 1940. Rota compôs para todos os filmes de Fellini, desde o ‘The White Sheik’ de 1952, até ao ‘The Orchestra Rehearsal’, de 1979. Além de Coppola, a lista de outros diretores para quem Rota compôs inclui os nomes de Renato Castellani, Luchino Visconti, Franco Zeffirelli, Mario Monicelli, King Vidor, René Clément, Edward Dmytryk e Eduardo de Filippo, e no teatro, para produções de Visconti, Zefirelli e de Filippo.

O elenco

Além de Marlon Brando e Al Pacino, The Godfather traz em seu elenco os maiores atores de cinema da época, como James Caan, Richard Castellano, Robert Duvall, Sterling Hayden, John Marley, Richard Conte e Diane Keaton. A trilogia contou com as sequências: The Godfather: Part II, em 1974; e The Godfather: Part III, em 1990.

A filmagem principal ocorreu de 29 de março a 6 de agosto de 1971, totalizando 77 dias de filmagens, menos que os 83 originalmente planejados. Um dos momentos mais chocantes do filme envolvia uma verdadeira cabeça decapitada de cavalo. Grupos de direitos dos animais protestaram contra a cena. Coppola disse que a cabeça do cavalo foi entregue a ele por uma companhia de ração para cachorro, Nova York.

Francis Ford Coppola não era a primeira escolha para dirigir o filme. O diretor Sergio Leone recebeu a oferta para dirigir, porém recusou para fazer uma de suas obras-primas, Once Upon a Time in America (Era uma vez na América). O filme foi oferecido a Peter Bogdanovich e Costa-Gavras, eles também recusaram. De acordo com Roger Evans, chefe da Paramount Pictures na época, Coppola inicialmente não queria dirigir o filme, por temer que a máfia e a violência ficassem glorificadas, e assim manchassem seus antepassados sicilianos. Por outro lado, Evans queira um ítalo-americano dirigindo porque em sua pesquisa mostrou que os filmes sobre a máfia anteriores foram dirigidos por americanos e não rederam muito dinheiro. Quando Coppola chegou à ideia de que o filme podia ser uma metáfora para o capitalismo americano, ele decidiu aceitar. Na época, Coppola já havia dirigido oito filmes e vencido um Oscar de Melhor Roteiro Original em 1971 por Patton. Coppola estava em dívida com a Warner Bros. em um valor de 400 000 dólares após os estouros no orçamento do filme THX 1138, de George Lucas, que Coppola produziu. Lucas o convenceu a dirigir The Godfather.

O American Film Institute apontou-o como o melhor filme de gângster de todos os tempos e o segundo melhor filme da história na lista dos melhores filmes estadunidenses.