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Cultura

ÓRBITA | EXPOSIÇÃO DE MARCELO DRUMMOND E MARCONI DRUMMOND

As muitas constelações formadas pelo trabalho gráfico-visual dos irmãos Marconi Drummond, artista visual e curador independente, e Marcelo Drummond, artista gráfico e professor da Escola de Belas Artes/UFMG, se entrelaçam na mostra inédita Órbita. A exposição ocupará a Galeria Genesco Murta a partir do dia 9 de abril até 5 de junho de 2022, propondo uma imersão na produção artística da dupla, edificada ao longo de trinta anos de atividade e carreira. O projeto expográfico, concebido pela arquiteta Ivie C. Zappelline, propõe diálogos, confluências e intercessões entre as obras autorais dos dois criadores em diálogo com os outros vinte e cinco artistas convidados.

No centro do projeto de pesquisa dos dois criadores posiciona-se a arte e a cultura, onde gravitam, em trajetórias e movimentos circulares, o design gráfico, a curadoria, a pesquisa, as artes visuais e os projetos autorais. É essa constelação de atividades, programas, projetos e percursos que será apresentada na Galeria Genesco Murta.

A exposição panorâmica “Órbita” estrutura-se por meio de núcleos, organizados como “satélites”. Cada núcleo apresenta um variado acervo visual, subsidiado pela coleção particular da dupla de criadores e também por obras de artistas que possuem lastros de criação e processos integrados à trajetória profissional de Marcelo e Marconi Drummond. Assim, para cada matriz gráfica exposta sempre orbitará um acervo correlato, composto de diversas linguagens artísticas.

A abertura da exposição, que acontece no dia 9 de abril (sábado), às 11h, contará, ainda, com três intervenções performáticas na Galeria Aberta Amilcar de Castro: “Antropônimo (Juracy)”, de Marcelo Drummond, criada com 800 balões coloridos, “Fogueira”, do artista Paulo Bruscky & Daniel Santiago, edificada por meio do empilhamento de barras de gelo, e “Citrium trepante”, uma instalação em homenagem a Lygia Clark, assinada pelo artista, escritor e professor Márcio Sampaio.

Ministério do TurismoGoverno de Minas GeraisSecretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais, Prefeitura de Belo Horizonte, por meio da Fundação Clóvis Salgado, apresentam a exposição Órbita, que tem correalização da APPA – Arte e Cultura, patrocínio máster da CemigArcellorMittalInstituto Unimed-BH¹, AngloGold Ashanti e Usiminas,  e patrocínio prata da Vivo, por meio das Leis Estadual e Federal de Incentivo à Cultura. Tem apoio cultural do Instituto Hermes Pardini. Projeto realizado com recursos da Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Belo Horizonte.

¹O patrocínio do Instituto Unimed-BH é viabilizado pelo incentivo de mais de cinco mil médicos cooperados e colaboradores.

A Fundação Clóvis Salgado é integrante do Circuito Liberdade, complexo cultural sob gestão da Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais (Secult) que reúne diversos espaços com as mais variadas formas de manifestação de arte e de cultura em transversalidade com o turismo.

Trajetória panorâmica e constelar – Ponto matricial da mostra, o conceito de órbita abarca o vasto exemplário de obras autorais, pesquisas e projetos gerados pelos irmãos Drummond ao longo de trinta anos. Sem a intenção de apresentar uma retrospectiva, a mostra reúne trabalhos de variados artistas que se relacionam com as atividades da dupla.

Para Marconi, o processo de concepção da mostra “Órbita” foi imersivo e prospectivo, trazendo à tona todas as variantes relacionadas ao trabalho nas artes gráficas e nas artes visuais. “A concepção foi muito rica. Demandou um intenso levantamento de acervo, em que nós inventariamos variados projetos desenhados ao longo desses anos, em sua maioria ligados à cultura e às artes visuais. A partir dessa prospecção, fizemos uma rigorosa seleção que acabou por revelar uma miríade de propostas multidisciplinares”, conta.

“Não tivemos em nenhum momento a intenção de fazer uma exposição com uma estrutura temporal linear e evolutiva”, destaca Marcelo. “Vejo a mostra como um panorama que, claro, exigiu uma revisão histórica, pois são trinta anos de trabalho. No espaço expositivo, o visitante vai perceber essa construção constelar constituída de avanços, desdobramentos e bifurcações. A exposição tensiona esses limites temporais exatamente por ser transversal na sua natureza e diversa na sua matriz”, conta o artista.

“No decurso da nossa prática profissional, Marconi pouco a pouco foi se deslocando de um trabalho autoral em artes visuais para ampliar caminhos correlatos ao de um artista visual: curadoria e pesquisa, gestão de espaços culturais e design gráfico. Eu, ao contrário, sendo designer de formação, fui pouco a pouco me aproximando do campo das artes visuais, quando muito jovem fui lecionar na Escola de Belas Artes da UFMG”, explica Marcelo. As relações que se formaram a partir das inquietações dos irmãos, sempre em ótica transdisciplinar, deram o mote para o conceito de órbita que sustenta o eixo expositivo.

Obra de Lotus Lobo | Foto: Everton Ballardin

Imersão em múltiplas linguagens – Durante a pesquisa, os artistas se depararam com livros, projetos gráficos, curadorias e projetos autorais na área de artes visuais, alicerçados nas mais variadas linguagens: literatura, tipografia, gravura, desenho, pintura, fotografia e instalação, entre outras. “Desde o primeiro momento nós queríamos que as linguagens balizassem e pavimentassem o nosso trajeto. A ideia é criar vizinhanças entre essas distintas linguagens, onde um assunto vai iluminando e friccionando o outro”, explica Marconi.

Na mostra, o público será convidado a romper as fronteiras entre as artes visuais e gráficas. “Nossa expectativa é que o público faça uma imersão, uma viagem conosco, e percorra essa trajetória expositiva que não tem propositalmente uma estrutura cronológica e muito menos histórica. São gravitações, uma obra que potencializa a outra, promovendo interseções de uma forma dialógica”, conta Marconi.

A exposição não mostra somente o trabalho autoral da dupla, trazendo com ela um conjunto de 25 artistas que marcaram o panorama das artes visuais em Belo Horizonte desde os anos 90 até a atualidade. Segundo Marcelo, há uma mostra coletiva inserida dentro da exposição. “A ideia é somar à mostra outros artistas e suas respectivas poéticas de forma a constituir uma rede colaborativa. Ainda assim, o visitante poderá construir outras constelações, percorrer outras órbitas a partir de obras catalizadoras que possam promover pontes entre um núcleo e outro”, instiga.

Os “núcleos satélites” criados para a mostra tratam das mais diversas intersecções entre arte, curadoria, literatura, arquitetura e design, reunindo um acervo de projetos curatoriais, expográficos e dispositivos visuais. “Isso será exposto para que o público reconheça e tenha acesso, por exemplo, às inúmeras curadorias que o Marconi desenvolveu no Museu de Arte da Pampulha, onde teve uma presença marcante, realizando em torno de 20 curadorias. Esse exemplo demonstra como a exposição tem, propositalmente, essa natureza múltipla, diversa e constelar”, explica Marcelo.

“Órbita” não se restringe apenas às artes visuais e ao design gráfico, mas também se conecta à literatura e ao objeto livro. “Na mostra, temos um expressivo contingente de escritores e autores que foram convidados a dialogar com os artistas visuais, tecendo potentes relações entre o binômio texto e imagem”, relata o artista.

Arte performática – Uma outra aposta da exposição realizada pelos irmãos Drummond é apresentar algumas intervenções de artistas com os quais trabalharam ao longo dos trinta anos de carreira, reforçando a construção de uma rede colaborativa e afetiva. As performances que irão acontecer na área externa à Galeria Genesco Murta, são de natureza efêmera e ocorrerão durante a abertura da exposição, no sábado, dia 9 de abril, pela manhã. “A nossa ideia é ultrapassar o limite do espaço expositivo e se estender para a área externa, com obras que possam ativar outros espaços do Palácio das Artes. São três obras processuais que vão sendo alteradas pela ação do tempo, seja na sua fisicalidade ou na sua potência poética”, explica Marcelo.

A primeira, assinada pelo próprio Marcelo, discute questões identitárias e de gênero. Trata-se da construção do nome próprio não-binário “Juracy”, modelado com letras esculpidas com balões coloridos. A obra faz parte da série “Antropônimo” e dividirá espaço com “Citrium Trepante”, concebida pelo artista e professor Márcio Sampaio. “É uma obra espetacular, que faz justa homenagem a série emblemática da artista mineira Lygia Clark”, explica Marcelo. A terceira obra é “Fogueira’”, constituída pelo empilhamento de grandes barras de gelo, proposta pelos artistas pernambucanos Paulo Bruscky & Daniel Santiago. “Com isso, esperamos que o público possa se tornar um espectador ativo, participante dessas três ações”, conclui Marcelo.

Marconi Drummond – Artista visual e curador. Possui graduação e mestrado em Artes Plásticas e doutorado em curso pela Escola de Belas Artes da UFMG. Atuou como curador do Museu de Arte da Pampulha (2006-2010) e foi superintendente da Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade em Itabira (2013-2014). É sócio-diretor da Cápsula Cultura, agência dedicada ao desenvolvimento de projetos culturais, curatoriais e de design.

Marcelo Drummond – Artista gráfico, possui doutorado em curso sobre a tipografia popular no Brasil. Desde 1993 é professor da Habilitação em Artes Gráficas da Escola de Belas Artes da UFMG, onde coordenada o Laboratório Grafo. Dirige, juntamente com a artista Nydia Negromonte, o Ateliê ESPAI_BH, espaço autônomo que, desde 2014, abriga mostras, oficinas e pesquisas associadas ao pensamento contemporâneo em artes visuais e áreas correlatas. Tem sua participação em várias exposições e recebeu os seguintes prêmios: Bienal Íbero-americana (2013), 51º Prêmio Jabuti, Câmara Brasileira do Livro (2009) e Prêmio Internacional e Poesia Visual Joan Brossa, Barcelona (1999).

Informações

Local: Galeria Genesco Murta

Informações para o público: (31) 3236-7400