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Cefart

ESCOLA DE DANÇA DO CEFART ESTREIA “A MARCHA – UMA INSTALAÇÃO COREOGRÁFICA”

FOTOS: SAMUEL MACEDO

A Fundação Clóvis Salgado, por meio do Centro de Formação Artística e Tecnológica – Cefart, estreia “A MARCHA – uma instalação coreográfica”, que marca a formatura dos alunos do Curso Técnico em Dança, no espaço multiuso Mari’Stella Tristão, no Palácio das Artes. Com concepção, direção e coordenação da artista convidada Dudude Herrmann, a obra é fruto de um processo de criação vivenciado por uma equipe alinhada no entendimento da ecologia humana, que tem como objeto de estudo a relação do ser humano com o seu ambiente natural. 

Composta pelo entrecruzamento de linguagens, “A MARCHA – uma instalação coreográfica” é um encontro de expressões, em que o vídeo, as artes visuais, o desenho de luz, a música e os movimentos constroem o corpo da obra. Desta forma, serão exibidos três vídeos inéditos que foram gravados com todos os artistas formandos e equipe, na região de Casa Branca, em Brumadinho. Esses vídeos contam com direção e edição de Thaís Mol, e imagens capturadas por Samuel Macedo, Frederico Amorelli e Walfried Weissmann.  Compõe também o trabalho uma instalação visual, assinada por Tana Guimarães e Joanna Sanglard, construída com material de resíduos que, a partir da reciclagem, adquirem outros ressignificados.

Já a movimentação da performance, que será apresentada presencialmente pelos formandos ao público, obedece a um mapa coreográfico que está a serviço da composição no espaço, onde cada dançarino escolhe e desenha a sua dança, desenvolvendo a improvisação. “Cada intérprete teve o seu propósito de mergulho, de desenhos no espaço e de estados de dança”, explica a diretora, que também conta sobre o que moveu os artistas a criarem “A MARCHA – uma instalação coreográfica”: “Esse trabalho foi pensado a partir do desejo e da necessidade de reconexão com a terra, a Gaia (que, na mitologia grega, é a Mãe-Terra, como elemento primordial e latente de uma potencialidade geradora imensa), reconhecendo que todos nós viemos da mesma origem e que já estamos atrasados para alterarmos o nosso modo de viver neste planeta lindo e, ao mesmo tempo, extremamente maltratado”.

Toda a programação acontecerá na Mari’Stella Tristão, no Palácio das Artes, durante os períodos de 15 a 17 de abril (sexta a domingo) e 21 a 23 de abril (quinta a domingo), com entrada gratuita. Nos dias 19 e 20 de abril, no horário das 17h às 21h, o público terá a oportunidade de somente assistir aos vídeos e visitar a instalação. Já a performance será apresentada nos dias 15 a 17 (sexta a domingo) e 21 a 23 de abril (quinta a sábado), sempre às 20h, sendo que nos dias 17, 22 e 23 de abril haverá apresentação também às 18h. Durante as sessões, a capacidade de público permitida no espaço será de 20 pessoas.

Governo de Minas Gerais e Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais, por meio da Fundação Clóvis Salgado, apresentam “A MARCHA – uma instalação coreográfica”que tem correalização da APPA – Arte e Cultura, patrocínio master da CemigArcellorMittal, Unimed-BH, Instituto Unimed-BH¹ e AngloGold Ashanti, por meio das Leis Estadual e Federal de Incentivo à Cultura, além do apoio cultural do Instituto Hermes Pardini.

1O patrocínio do Instituto Unimed-BH é viabilizado pelo incentivo de mais de cinco mil médicos 

Identificação artística entre elenco e diretora

“O meu desejo é de apropriação. É de propriedade de si e de autonomia. Primeiro faça por você e, assim, estará fazendo para todos nós”. Este foi um dos caminhos que a diretora seguiu durante o processo de criação com os bailarinos, trabalhando a ideia de autonomia dos jovens artistas. Para o bailarino Rafael Neves, a identidade artística da turma que está se formando vai ao encontro do pensamento artístico da diretora.

“A nossa turma é ímpar, pois, na linguagem popular, não somos um grupo onde todos são bailarinos clássicos, com as pernas altas. Somos uma turma de artistas, com características polifônicas. E achamos que a Dudude Herrmann, que trabalha muito a improvisação, seria o melhor nome para nos representar pelo fato de ela ser uma multiartista que vai além da dança”, revela Rafael Neves.

O artista ressalta que “A MARCHA – uma instalação coreográfica” simboliza uma caminhada da humanidade, com seus seres, que ora são mais urbanos, ora estão mais voltados para a conexão com a natureza. 

“A MARCHA – uma instalação coreográfica é uma obra para se questionar, ainda mais neste momento complexo, no qual as discussões climáticas estão em voga. Tanto é que os nossos materiais são muito simples. O que nós utilizamos são adereços coletados da própria natureza ou materiais recicláveis. Por exemplo, não usamos maquiagens, mas há pinturas que remetem a algo mais ritualístico e natural”, pontua Rafael.

A bailarina formanda Carol Santiago destaca a novidade que é realizar a formatura do Curso Técnico em Dança em uma Galeria de Arte e não no Grande Teatro Cemig Palácio das Artes, como é usual. “Nós queríamos quebrar o padrão”, afirma Carol, que forma o elenco de bailarinos ao lado de Rafael Neves, Ygor Gohan, Stephany Viana, Jéssica Castelo, Jhenifer Gonçalves, Letícia Stella, Lílian Santiago e Matheus Mattos. 

Laysla Araujo e Maria Mariano, alunas da Escola de Tecnologia da Cena, do Cefart, também integram a equipe na criação do espetáculo, sendo responsáveis pelo desenho de luz, sob a orientação de Geraldo Otaviano, coordenador da Escola de Tecnologia da Cena. A convite de Dudude, quem assina a trilha sonora de “A MARCHA – uma instalação coreográfica” é o paulista Celso Nascimento.

Curso Técnico em Dança, do Cefart – Com o objetivo de formar bailarinos com conhecimento artístico e técnico, o Curso Profissionalizante de Dança oferecido pelo Cefart conta com duração de três anos e é destinado a jovens que estejam cursando ou já concluíram o ensino médio.

No curso, são oferecidas disciplinas práticas de técnicas de dança clássica e dança contemporânea, teorias de apreciação musical, anatomia e noções de fisioterapia aplicadas à dança, dança folclórica, caracterização cênica, história da dança e metodologia de ensino, entre outras.

Durante o curso, os alunos têm a oportunidade de se apresentarem em remontagens com repertório clássico ou em coreografias inéditas, criadas por professores da Escola de Dança do Cefart, ou por coreógrafos convidados. Os alunos também vivem as experiências de encenarem trabalhos autorais nas Mostras de Estudos Coreográficos e Mostras de Composição em Arte, além de participarem de diversos concursos e festivais de dança.

Dudude Herrmann – Artista de dança, é reconhecida não somente pelo seu trabalho na dança, mas pelas criações em que faz a interseção com diversas outras linguagens artísticas, como o teatro, a performance, a música. É uma das artistas pioneiras no Brasil a utilizar linguagem da improvisação em dança. A artista desenvolveu uma maneira singular de aplicar, ensinar e entender a linguagem da dança contemporânea. Construiu uma pedagogia própria, a qual tem no corpo orgânico sua base de entendimento, com o suporte da educação somática direcionada para a linguagem da improvisação em dança. Desde sempre, ministra workshops voltados para a linguagem da improvisação por todo o país Brasil. Apresentou em diversas cidades brasileiras e em países como Portugal, Alemanha e França. Coordena seu Atelier de criação, com uma década de funcionamento, localizado em Casa Branca, onde realiza ações para a comunidade artística e interessados, com ações focadas na arte contemporânea, envolvendo profissionais da cena viva do Brasil e do mundo.