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Cultura

DIA NACIONAL DO CHORO

O Dia Nacional do Choro é comemorado em 23 de abril, data de nascimento de Pixinguinha, uma das figuras mais representativas da Música Popular Brasileira e do choro

Considerado um gênero nascido originalmente no Brasil, o choro, ou chorinho, surge no cenário musical no século XIX. Historiadores concordam que o chorinho brasileiro é um estilo peculiar de interpretar diversos gêneros musicais, como a polca russa, a valsa, o schottisches, a quadrilha, entre outros. O choro hoje é um dos mais originais estilos de música, principalmente instrumental. Nascido no Rio de Janeiro, o choro ganhou forte expressão nacional, tornando-se um símbolo da cultura brasileira. 

Podemos dizer que a história do choro começa em 1808, ano em que a Família Real portuguesa chegou ao Brasil. Depois de ser promulgada capital do Reino Unido do Brasil, Portugal e Algarves, o Rio de Janeiro passou por uma reforma urbana e cultural, quando foram criados muitos cargos públicos. 

Com a corte portuguesa, vieram instrumentos de origem europeia, como o piano, clarinete, violão, saxofone, bandolim, cavaquinho, e também músicas de dança de salão europeias, como a valsa, quadrilha, mazurca, modinha, minueto, xote e, principalmente, a polca, que viraram moda nos bailes daquela época.

O nome Choro pode derivar da maneira chorosa de se tocar as músicas estrangeiras no final do século XIX e os que a apreciavam passaram a chamá-la de música de fazer chorar. Daí o termo Choro. O termo pode também derivar de “xolo”, um tipo de baile que reunia os escravos das fazendas, expressão que, por confusão com a parônima portuguesa, passou a ser conhecida como “xoro” e finalmente, na cidade, a expressão começou a ser grafada com “ch”. Outros defendem, ainda, que a origem do termo é devida à sensação de melancolia transmitida pelas “baixarias” do violão.

A reforma urbana, os instrumentos e as músicas estrangeiras, juntamente com a abolição do tráfico de escravos no Brasil em 1850, podem ser considerados a base, o caldo, para o surgimento do choro, já que possibilitou o surgimento de uma nova classe social nos subúrbios do Rio de Janeiro, composta por funcionários públicos, instrumentistas de bandas militares e pequenos comerciantes, geralmente de origem negra. 

É desse encontro de manifestações e culturas que surgiu o choro, que foi encontrar em seus compositores pioneiros a sua formatação musical e as primeiras composições originais, sendo eles Joaquim Callado, Anacleto de Medeiros, Chiquinha Gonzaga e Ernesto Nazareth.

Chiquinha Gonzaga

Chiquinha Gonzaga é até hoje o maior nome feminino do choro, além de fazer época e romper barreiras como artista, vivendo em um Brasil imperial. A coragem com que enfrentou a opressora sociedade patriarcal e criou uma profissão praticamente inédita para a mulher, causou escândalo em seu tempo. Atuando no rico ambiente musical do Rio de Janeiro do Segundo Reinado, Chiquinha Gonzaga não hesitou em incorporar ao seu piano toda a diversidade que encontrou, sem preconceitos. Assim, terminou por produzir uma obra fundamental para a formação da música brasileira. 

Francisca Edwiges Neves Gonzaga nasceu no Rio de Janeiro, em 17 de outubro de 1847, filha de militar de ilustre linhagem no Império, com uma filha de escrava. A menina cresceu e se educou num período de grandes transformações na vida da cidade. Além de escrever, ler e fazer cálculos, estudar o catecismo, e outras prendas femininas, a jovem sinhazinha aprendeu a tocar piano. Educada para ser dama de salão, aos 16 anos, Chiquinha se casou com o promissor empresário Jacinto Ribeiro do Amaral, escolhido por seu pai. Continuou dedicando atenção ao piano, para desespero do marido, que não gostava de música e encarava o instrumento como seu rival. Inquieta e determinada, Chiquinha se rebelou e decidiu abandonar o casamento ao se apaixonar pelo engenheiro João Batista de Carvalho, com quem passou a viver.

A Chiquinha Gonzaga que emerge no cenário musical do Rio de Janeiro em 1877, após desilusão amorosa, maldição familiar, condenações morais e desgostos pessoais é uma mulher que precisa sobreviver do que sabia fazer: tocar piano. Ninguém ousara tanto. Praticar música ao piano, ou até mesmo compor e publicar, não era incomum às senhoras de então, mas sempre mantendo o respeito ao espaço feminino por excelência, o da vida privada. A profissionalização da mulher como músico (e ainda mais aquele tipo de música de dança para consumo nos salões!) era fato inédito na sociedade da época. A atividade exigia talento, determinação e coragem – qualidades que não faltavam a Chiquinha Gonzaga.

São inúmeros os compositores e intérpretes do choro que fizeram história. Pixinguinha talvez seja o maior nome. Outros entretanto, também merecem destaque, pois nos deixaram uma obra maravilhosa, sendo eles: Joaquim Callado; Anacleto de Medeiros; Ernesto Nazareth; Patápio Silva; João Pernambuco; Luís Americano; Villa-Lobos; Radamés Gnattali; Waldir Azevedo e Jacob do Bandolim.

Fato é que, mesmo com o passar dos anos, décadas e séculos, o chorinho continua sendo uma música dos subúrbios. 

Pixinguinha

Pixinguinha era na verdade Alfredo da Rocha Vianna Filho, nascido no Rio de Janeiro em 23 de abril de 1897 e falecido também no Rio de Janeiro em 17 de fevereiro de 1973. Maestro, flautista, saxofonista, compositor e arranjador, Pixinguinha é até hoje reconhecido como um dos maiores compositores brasileiros em todos os tempos. 

Filho do músico Alfredo da Rocha Vianna, Pixinguinha foi funcionário dos correios e possuía uma grande coleção de partituras de choros antigos. Aprendeu música em casa, fazendo parte de uma família com vários irmãos músicos, entre eles o China (Otávio Vianna). 

Obteve o primeiro emprego ainda garoto e começou a atuar em 1912 em cabarés da Lapa. Depois, substituiu o flautista titular na orquestra da sala de projeção do Cine Rio Branco. Nos anos seguintes, continuou atuando em salas de cinema, ranchos carnavalescos, casas noturnas e no teatro de revista.

Integrou o famoso grupo Caxangá, com Donga e João Pernambuco. A partir desse grupo, foi formado o conjunto Oito Batutas, muito ativo a partir de 1919. Na década de 1930, foi contratado como arranjador pela gravadora RCA Victor, criando arranjos celebrizados na voz de cantores como Francisco Alves ou Mário Reis. No fim da década, foi substituído na função por Radamés Gnattali. Na década de 1940, passou a integrar o regional de Benedito Lacerda, passando a tocar o saxofone tenor. Algumas de suas principais obras foram registradas em parceria com o líder do conjunto, mas hoje se sabe que Benedito Lacerda não era o compositor, mas pagava pelas parcerias.

Quando compôs Carinhoso, entre 1916 e 1917 e Lamentos, em 1928, que são considerados alguns dos choros mais famosos, Pixinguinha foi criticado e essas composições foram consideradas como tendo uma inaceitável influência do jazz, enquanto hoje em dia podem ser vistas como avançadas demais para a época. Além disso, “Carinhoso” na época não foi considerado choro, e sim uma polca.

Pixinguinha passou os últimos anos de sua vida em Ramos, bairro que adorava, e morreu na igreja de Nossa Senhora da Paz, em Ipanema, quando seria padrinho em uma cerimônia de batismo. Foi enterrado no Cemitério de Inhaúma.