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Iepha/MG

AFROMINEIRIDADES CHEGA AO FIM DISCUTINDO O LUGAR DO NEGRO NA MEMÓRIA DE BH

Com o tema central de Afromineiridades, a terceira rodada do Programa de Proteção da Cultura Afro em Minas Gerais chegou ao fim na tarde do dia 03 de Junho. A quarta e última rodada está prevista para ocorrer nos dias 26 e 29 deste mês.

O encerramento contou com uma visita mediada ao Palácio da Liberdade, atravessada pelo tema “Leituras Negras e Africanidades”. Os participantes conferiram uma exposição temporária, que aborda a temática, com concepção e curadoria de Josemeire Alves Pereira e Lisandra Mara Silva. 

A visita mediada, realizada pela equipe do Programa Receptivo e Educativo do Palácio da Liberdade, convidou o público a refletir sobre as referências negras na memória e na história da cidade, continuamente invisibilizadas ao longo do tempo.

Durante a visita, os mediadores lembraram uma dupla exclusão dos negros na história do Palácio da Liberdade e de toda a construção da cidade de Belo Horizonte: a que se refere à expulsão dos moradores da vila que deu lugar à sede do governo e o não reconhecimento da mão de obra negra que ergueu os principais marcos históricos da cidade.

Eliani da Silva, servidora pública e negra, esteve no Palácio pela primeira vez. Em sua opinião, abordar essa temática durante a visitação foi pertinente e muito importante. “A história precisa fazer justiça. Contar esses fatos é trazer à luz acontecimentos que não conhecemos e dos quais nem nos damos conta”.

Em um espaço de poder, como a antiga sede do governo estadual, não existir representação da diversidade é uma escolha deliberada. Durante a visita, destacou-se a existência de um andar “oculto” no Palácio, onde os funcionários podiam circular sem serem vistos e ao qual os convidados não tinham acesso.

Antes da visita ao Palácio da Liberdade, no dia 30 de maio, a rodada foi inaugurada com a mesa temática “Políticas públicas de patrimônio cultural para povos de terreiro em Minas Gerais” e um fórum de discussão para Salvaguarda. 

O foco dessa terceira etapa do Afromineiridades foi o seminário “Mapeamento dos Povos e Comunidades de Terreiro de Minas Gerais” e o lançamento do Cadastro de Identificação dos “Espaços Sagrados, Territórios de Axé e Fé”.

AFROMINEIRIDADES

O Projeto Afromineiridades é uma importante iniciativa do Governo do Estado de Minas Gerais, por meio do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico – Iepha-MG, para compreender e reconhecer a complexidade das contribuições dos grupos de matriz africana que formam as culturas mineiras. 

A partir do Programa de Proteção da Cultura Afro em Minas Gerais, o Iepha-MG propõe uma série de eventos, debates e interações com lideranças políticas, intelectuais negros, comunidades quilombolas e povos de terreiro. O objetivo é possibilitar caminhos para melhor entendimento dos conhecimentos afromineiros que trazem especificidades em relação aos saberes, manifestações culturais, cosmovisões e modos de vida específicos. 

Trata-se de um momento ímpar para escuta e diálogo com mestres e mestras das culturas provenientes da ancestralidade africana de modo a balizar e criar novas estratégias para as ações de reconhecimento e salvaguarda do patrimônio cultural de Minas Gerais.

O Programa está dividido em quatro ações que ocorrerão até este mês, sendo elas:

  1. março – lançamento do Programa de Proteção da Cultura Afro em Minas Gerais – Afromineiridades;
  2. abril – Seminário: Registro das Comunidades Quilombolas Urbanas de Minas Gerais como Patrimônio Cultural Imaterial;
  3. maio – Seminário: Mapeamento dos Povos e Comunidades de Terreiro de Minas Gerais.
  4. junho – Seminário: Registro dos Congados e Reinados de Minas Gerais como Patrimônio Cultural Imaterial.

Desde 2018, a APPA – Arte e Cultura, em parceria com o Iepha-MG, é responsável por ações de requalificação, promoção e educação para o patrimônio cultural em Minas Gerais.