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Cultura

CINE HUMBERTO MAURO COMEMORA O DIA DO CINEMA BRASILEIRO

Cine Humberto Mauro

O Cine Humberto Mauro do Palácio das Artes investe em uma programação inclusiva, com exibições diversificadas, festejando sempre as grandes obras da Sétima Arte 

Aproveitando os ensejos do Dia do Cinema Brasileiro, comemorado em 19 de junho, o Cine Humberto Mauro – além da homenagem que faz em seu nome ao pai do cinema no Brasil, o mineiro Humberto Mauro – divulga uma programação abrangente, com preços acessíveis, incluindo curtas de produção mineira e clássicos históricos do cinema. 

O Dia do Cinema Brasileiro

O Dia do Cinema Brasileiro é celebrado nacionalmente no dia 19 de junho. A data é uma homenagem ao dia em que o ítalo-brasileiro Afonso Segreto – primeiro cinegrafista e diretor do país – registrou as primeiras imagens em movimento no território brasileiro, no distante ano de 1898. 

As imagens foram gravadas a bordo do navio Brésil, que havia saído de Boudeaux, na França, em que Afonso Segreto tinha acabado de fazer um curso sobre a operação do cinematógrafo e, de lá, acabou trazendo um dos equipamentos para o Brasil. As imagens capturaram o cenário da Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro.

Alguns historiadores contestam o fato de que Afonso tenha feito as primeiras imagens cinematográficas no Brasil, alegando que, um ano antes (em 1897), na cidade de Petrópolis, alguns filmetes foram gravados a partir do uso de um modelo de cinematógrafo criado pelo cientista americano Thomas Edison. 

A despeito de quais tenham sido as primeiras imagens de cinema gravadas no Brasil, o fato é que o sobrenome “Segreto” tornou-se sinônimo do pioneirismo no cinema no país. Outra data também comemorada como Dia do Cinema Brasileiro é 5 de novembro, que marca a primeira exibição pública de cinema no país.

Mas é no mineiro Humberto Mauro que o Cinema Nacional encontrou o pai do cinema brasileiro. 

Humberto Mauro

Pioneiro da sétima arte no Brasil, Humberto Mauro produziu filmes entre os anos de 1925 e 1974, sempre com temas brasileiros. 

Nascido em Cataguases, Zona da Mata, no dia 30 de abril de 1897, Humberto Mauro passou a se interessar por fotografia em 1923. Em 1925 comprou uma câmara cinematográfica de 9,5 mm, marca Pathé, com a qual filmou um curta-metragem cômico, de apenas 5 minutos de duração. No mesmo ano fundou em Cataguases a Phebo Sul América, para produzir seus filmes. Em 1926, produziu os filmes Na Primavera da Vida e Thesouro Perdido, uma obra nos moldes dos filmes de aventura americanos, com muitas e complicadas cenas de ação. Thesouro Perdido foi premiado como o melhor filme brasileiro de 1927. 

Com o sucesso de Thesouro Perdido, Mauro pode ampliar sua produtora, rebatizada de Phebo Brasil, e desenvolver filmes de acordo com sua visão artística. Seu trabalho seguinte, Brasa Dormida, é uma bem sucedida mistura de aventura e romance, com excelente aproveitamento dos cenários naturais, em que não falta uma excitante (para os padrões da época) cena erótica. Lançado em 1929, foi distribuído para todo o país.

Seu longa-metragem seguinte, Sangue Mineiro, seu último para a Phebo, é considerado sua obra-prima em Cataguases. Lançado em julho de 1929, percorreu todo o país com sucesso de crítica e público. Em Sangue Mineiro ele deixa de lado a aventura e faz um filme intimista, em que os únicos conflitos são os do coração.

Rio de Janeiro

Com o surgimento da Cinédia em 1929, Humberto Mauro muda-se para o Rio de Janeiro e começa a trabalhar com Adhemar Gonzaga, dirigindo “Lábios sem beijos”, mostrando domínio na técnica do cinema falado.

O sucesso dos filmes da Cinédia a tornou o estúdio mais importante da época. Em 1931 foi lançado Mulher, no qual Mauro atuou como câmera, cabendo a direção a Octavio Gabus Mendes. Seu filme seguinte, Ganga Bruta, teve dificuldades na sua realização, que se prolongou de 1931 a 1933. Era um filme de estrutura narrativa revolucionária para a época, com flashbacks e cortes rápidos.

Depois de dirigir a Voz do Carnaval (1933), seu primeiro musical, troca a Cinédia pela Brasil Vita Filmes (1934), um estúdio fundado pela atriz Carmen Santos, estrela de vários filmes de Mauro. Na nova casa, fez Favela dos Meus Amores (1935) e Cidade Mulher (1936).

A convite de Edgar Roquette-Pinto, Mauro se junta ao Instituto Nacional de Cinema Educativo (INCE), onde de 1936 a 1964 realizou mais de 300 documentários de curta-metragem sobre temas tão variados como astronomia, agricultura e música.

Enquanto trabalhou no INCE, Mauro dirigiu apenas três longas metragens: O Descobrimento do Brasil (1937), com música de Villa-Lobos, Argila (1940) e Canto da Saudade (1952), onde também trabalhou como ator, em um papel secundário.

Afastado do cinema a partir de 1974, quando fez o curta-metragem “Carro de Bois”, Humberto Mauro passou a viver em seu sítio Rancho Alegre, em Volta Grande, Cataguases, onde morreu, aos 86 anos, quase que completamente cego, após uma forte pneumonia.

Humberto Mauro é autor do mais significativo ciclo regional do cinema brasileiro, iniciado em 1926, com “Na Primavera da Vida”. 

Durante seus últimos anos de vida, Humberto Mauro foi a inspiração principal da geração do Cinema Novo. Nelson Pereira dos Santos e Glauber Rocha eram seus admiradores declarados.

Apesar de não ter feito carreira internacional, devido às limitações da época, foi homenageado no Festival de Cannes como um dos cineastas mais importantes do século XX.

Programação de junho do Cine Humberto Mauro

17/06CURTA NO ALMOÇO 

13h – Coletivo Olhares (Im)Possíveis | (MG, 2020) | livre – 16’ – Nunca Pare na Pista, de Thamires Vieira | (MG, 2021) | 14 anos | 19’

15h – Frank Capra e o Sonho Americano (Frank Capra’s American Dream, Kenneth Bowser, EUA, 1997) | Livre | 1h55

17h15 – Este Mundo é um Hospício (Arsenic and Old Lace, Frank Capra, EUA, 1943) | 14 anos | 1h58

19h30 – A Cruz dos Anos (Make Way for Tomorrow, Leo McCarey, EUA, 1937) | 12 anos | 1h31

18/06 

15h – A Mulher Faz o Homem (Mr. Smith Goes to Washington, Frank Capra, EUA, 1939) | Livre | 2h9

17h30 – Sua Esposa e o Mundo (State of the Union, Frank Capra, EUA, 1948) | 12 anos | 2h4

20h – O Último Chá do General Yen (The Bitter Tea of General Yen, Frank Capra, EUA, 1933) | 12 anos |

1h28

19/06 

18h – O Galante Mr. Deeds (Mr. Deeds Goes to Town, Frank Capra, EUA, 1936) | Livre | 1h55

20h15 – Adorável Vagabundo (Meet John Doe, Frank Capra, EUA, 1941) | 14 anos | 2h2  

21/06

15h – Tarde Demais para Esquecer (An Affair to Remember, Leo McCarey, EUA, 1957) | Livre | 1h55 17h15 – Cupido é Moleque Teimoso (The Awful Truth, Leo McCarey, EUA, 1937) | 12 anos | 1h30 

19h – O Bom Pastor (Going My Way, Leo McCarey, EUA, 1944) | Livre | 2h6

22/06

15h – Os Sinos de Santa Maria (The Bells of St. Mary’s, Leo McCarey, EUA, 1945) | Livre | 2h6 

17h30 – O Diabo a Quatro (Duck Soup, Leo McCarey, EUA, 1933) | 12 anos | 1h9

19h – Dama por Um Dia (Lady for a Day, Frank Capra, EUA, 1933) | 10 anos | 1h36

23/06 

15h – Do Mundo Nada se Leva (You Can’t Take It with You, Frank Capra, EUA, 1938) | Livre | 2h6

17h30 – Frank Capra e o Sonho Americano (Frank Capra’s American Dream, Kenneth Bowser, EUA, 1997) | Livre | 1h55 

20h – A Felicidade Não se Compra (It’s a Wonderful Life, Frank Capra, EUA, 1946) | Livre | 2h10

Cine Humberto Mauro Mais

Em 2020, a trajetória do Cine Humberto Mauro ganhou novos contornos e, no ambiente digital, vem promovendo ações de formação e exibições. Naquele ano, foi lançada a plataforma virtual de tecnologia exclusiva: o Cine Humberto Mauro Mais, com o objetivo de ser mais um ponto de encontro, acesso e descentralização de uma das programações de cinema mais elogiadas do país.

Na plataforma, o público tem acesso a filmes, mostras especiais, debates e até mesmo conteúdos transmitidos ao vivo.

FOTO: Divulgação Fundação Clóvis Salgado