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Cultura

MOSTRA – CINEMA MINEIRO EM CARTAZ

Celebração do Cinema Mineiro conta ainda com o curso ‘História cinematográfica do estado’ e debate sobre preservação das obras

FOTO: Batismo de sangue

Em celebração ao Ano da Mineiridade, a Fundação Clóvis Salgado exibe no Cine Humberto Mauro a mostra Cinema Mineiro em Cartazcom curadoria do pesquisador Victor de Almeidaentre os dias 24 e 30 de junho – com reprise entre os dias 1º e 7 de julho –, que reúne um conjunto de filmes relevantes da história do cinema de Minas Gerais. O público também terá a oportunidade de conferir debates, publicações de textos inéditos, além de um curso presencial sobre a história do cinema mineiro. A mostra foi concebida em parceria com o Centro de Estudos Cinematográficos – CEC, com o Instituto Humberto Mauro e com o Centro Técnico do Audiovisual – CTAV, reforçando a importância do trabalho em pesquisa e preservação dessas instituições.

Exibindo um conjunto de 20 filmes, entre 10 curtas e 10 longas metragens raros e singulares da cinematografia de Minas Gerais, a mostra tem como intuito a valorização e recuperação da história do cinema mineiro, demonstrando a riqueza da expressão artística e cultural de todo o estado. A curadoria foi feita pelo produtor, pesquisador e diretor Victor de Almeida, com auxílio de pesquisa realizada por Lourenço Veloso, que desenvolve relevantes projetos do audiovisual em Minas Gerais, e por Nicolly Rejara, pesquisadora e crítica de cinema.

Integram a programação obras como Tesouro Perdido (1927), de Humberto Mauro, O General (2003), de Fábio Carvalho, Os Marginais (1968), realizado por Moises Kendler e Carlos Alberto Prates Correia, Perdidos e Malditos (1970), de Geraldo Veloso; Rio Babilônia (1982), de Neville D’Almeida, e Baronesa (2017), de Juliana Antunes. Os filmes serão exibidos no Cine Humberto Mauro e parte da programação estará disponível on-line na plataforma de streaming  CineHumbertoMauromais.com. A entrada permanece gratuita, com ingressos distribuídos durante o horário de funcionamento da bilheteria, no dia de cada sessão.

CONFIRA A PROGRAMAÇÃO DA MOSTRA

SINOPSE DOS FILMES

Dividida em duas partes, Cinema Mineiro em Cartaz tem sua primeira fase entre os dias 24 e 30 de junho, contando com a exibição dos filmes, além da realização do curso ministrado pelo diretor e pesquisador Paulo Augusto Gomes. A segunda parte, que será realizada entre os dias 1º e 7 de julho, exibe a reprise de toda a programação e apresenta um debate sobre a relevância da preservação do cinema mineiro, com participação do pesquisador Alexandre Pimenta e diversas instituições ligadas à memória da cultura cinematográfica do estado.

Ministério do TurismoGoverno de Minas Gerais e Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais, por meio da Fundação Clóvis Salgado, apresentam a mostra Cinema Mineiro em Cartaz, que tem correalização da APPA – Arte e Cultura, patrocínio master da CemigArcellorMittalInstituto Unimed-BH¹, AngloGold Ashanti e Usiminas, por meio das Leis Estadual e Federal de Incentivo à Cultura, além do apoio cultural do Instituto Hermes Pardini. A mostra também conta com o apoio do Centro de Estudos Cinematográficos – CEC, do Instituto Humberto Mauro e do Centro Técnico do Audiovisual – CTAV.

¹O patrocínio do Instituto Unimed-BH é viabilizado pelo incentivo de mais de cinco mil médicos cooperados e colaboradores.

A Fundação Clóvis Salgado é integrante do Circuito Liberdade, complexo cultural sob gestão da Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais (Secult) que reúne diversos espaços com as mais variadas formas de manifestação de arte e de cultura em transversalidade com o turismo.

História e relevância do cinema em Minas Gerais –  De Humberto Mauro à Helvécio Ratton e Neville D’Almeida, a influência do cinema de Minas Gerais reflete por todo o audiovisual nacional. Filmes inventivos e experimentais produzidos, principalmente, com poucos recursos por todo o território mineiro, continuam, até os dias atuais, reverenciados e aclamados. Porém, para Bruno Hilário, Gerente do Cine Humberto Mauro, pouco é falado e discutido em formações cinematográficas sobre a história e a influência do cinema do estado. A partir disso, introduz-se a importância de realizar uma mostra tão significativa. “É sempre muito importante reverenciar o cinema de Minas Gerais. Existe uma certa lacuna na formação da nossa história cinematográfica, que é tão marcante para a filmografia do país. Neste sentido, estamos trazendo essa mostra como uma forma de celebrar a história do nosso cinema, além de exaltar a importância dos nossos artistas e dessas obras que possuem raras exibições”, relata Hilário. “É uma oportunidade única de se aprofundar nas narrativas de cada filme que iremos exibir. Destacamos também, a relevância de pensarmos formas de manter sempre vivos os espaços de formação sobre o cinema mineiro”.

Preservação e restauração da cinematografia mineira – Em razão do setor audiovisual mineiro apresentar inúmeras dificuldades em preservar e restaurar os seus filmes históricos, o processo de curadoria e pesquisa da mostra priorizou obras poucas vezes exibidas em âmbito nacional. “A preservação do cinema mineiro é algo que tem sido pouco discutido. Vivemos em um momento em que todos os nossos acervos precisam estar bem cuidados. Nossa identidade cultural está ameaçada. Então, a mostra irá debater sobre os lugares de preservação, além da importância de se pensar sobre isso”, explica Bruno.

Para Victor de Almeida, curador da mostra, disponibilizar uma gama de obras diversas e singulares da cinematográfica do estado na programação, reforça ao espectador o entendimento da história do cinema mineiro. “A guarda e a preservação dessa produção encontram muitos obstáculos. Temos apenas um arquivo de filmes com refrigeração adequada, porém, sua capacidade é limitada. Não temos como guardar nossos filmes. Muitos de nós [pesquisadores] não sabemos onde eles estão e se ao menos existem. Sendo assim, buscamos escolher filmes extremamente representativos de várias épocas, expressões, tendências e movimentos. Estão presentes desde filmes pioneiros, até um exemplar do atual cinema operário, passando por espécimes do cinema clássico, experimental e documentário”, explica o curador.

Programação – Clássicos, contemporâneos, raros e quase nunca exibidos, a mostra apresenta diversos curtas e longas-metragens icônicos da história do cinema – para Bruno Hilário, será uma experiência única para o público conferir filmes tão marcantes. “A mostra é repleta de raridades. A curadoria enfatiza obras que tiveram poucas exibições no cenário nacional e local. Vamos exibir, por exemplo, o filme O General, de Fábio Carvalho, que é uma obra do começo dos anos 2000, que foi exibida em Belo Horizonte apenas uma vez”, conta.

A programação também vai exibir uma cópia restaurada e cedida pelo Centro Técnico Audiovisual de Tesouro Perdido, dirigido por Humberto Mauro. “É um filme de 1927, extremamente raro e muito pouco exibido. Este é um dos primeiros filmes de Humberto Mauro. Vamos retomar essa obra em memória ao cineasta que é considerado o grande patrono do cinema brasileiro. Vamos exibir também Perdidos e Malditos, de Geraldo Veloso, um filme muito importante do nosso cinema de invenção, homenageando este cineasta, cuja trajetória está extremamente ligada à existência do Cine Humberto Mauro”, explica Hilário.

‘Cinema Mineiro em Cartaz’ também exibirá Domingo de Graça, um curta-metragem raríssimo de Ricardo Gomes Leite. “Ele possui apenas uma cópia em película, preservada pelo Museu da Imagem e do Som de Belo Horizonte. É um filme que foi realizado dentro do Parque Municipal e contém imagens raras da cidade de Belo Horizonte. Vai ser um momento incrível de mergulhar na nossa história, de conhecer a nossa trajetória e reverenciar os nossos cineastas”. E completa: “É muito comum nas universidades debates sobre o cinema estrangeiro, porém, precisamos estimular e dedicar uma atenção a esses artistas incríveis, geniais e inventivos que influenciaram profundamente a história do cinema nacional”, ressalta Bruno.

Curso e debates – A mostra também irá oferecer, nos dias 29 (quarta-feira) e 30/06 (quinta-feira), entre às 14h e 17h, o curso inédito O Cinema feito em Minas Gerais: um Panorama Histórico, sobre a história do cinema mineiro, ministrado pelo diretor e crítico cinematográfico Paulo Augusto Gomes, autor do livro Pioneiros do cinema em Minas Gerais (2008). Com expressiva produção crítica nos principais jornais de grande circulação editados em Belo Horizonte, Paulo Augusto Gomes integra o Centro de Pesquisadores do Cinema Brasileiro, tendo participado de vários cursos e palestras coordenados pelo Centro de Estudos Cinematográficos – CEC. Além da contextualização dos pioneiros do cinema, o curso perpassa as obras contemporâneas colocando-as em diálogo com outras produções a partir da perspectiva histórica, ampliando a formação de estudantes, realizadores e público em geral sobre a trajetória do cinema em Minas Gerais. Para participar do curso, basta retirar ingresso na entrada do cinema. No entanto, para receber certificado o participante deve fazer inscrição prévia através do e-mail: cursos.cinehumbertomauro@gmail.com, informando nome completo, CPF e telefone.

A programação também conta com um debate presencial, no Cine Humberto Mauro, sobre a importância da preservação do cinema do estado, com a presença do pesquisador Alexandre Pimenta.

Para Lourenço Veloso, pesquisador da mostra, a realização do curso e do debate enriquecem a programação da mostra. “Pensando em contribuir no processo de preservação de filmes e na construção afirmativa de nossa memória, desde as origens do cinema mineiro, convidamos Paulo Augusto Gomes para realizar um curso sobre a história do cinema mineiro, além do pesquisador Alexandre Pimenta, para um debate sobre a Preservação do Cinema Mineiro. Esperamos que as atividades da mostra sejam um ponto de partida para todos aqueles que buscam a compreensão sobre o que é o cinema e qual a importância dessa manifestação artística para nossa sociedade”, conclui o pesquisador.

Victor de Almeida – Pesquisador e cineasta, Victor Almeida iniciou sua trajetória no cinema nos anos 1950. É diretor-executivo do Instituto Humberto Mauro, além de notório integrante do Centro de Estudos Cinematográficos de Minas Gerais – CEC.

Lourenço Veloso – Filho do cineasta Geraldo Veloso, é pesquisador e crítico de cinema, desenvolvendo diversos papéis importantes e relevantes na restauração e preservação do cinema de Minas Gerais.

Paulo Augusto Gomes – Paulo Augusto Gomes começou na crítica cinematográfica em jornais como “Estado de Minas”, “Diário do Comércio”, “Diário de Minas” e “Suplemento Literário do Minas Gerais”, todos editados em Belo Horizonte. Teve textos incluídos em revistas de circulação nacional, como “Filme Cultura” e “Guia de Filmes”. Textos seus também foram editados em livros como “Cinema em Palavras” e “Os Filmes que Sonhamos”.

Como ensaísta, participa de livros como “Godard e a Educação” e “Presença do CEC – 50 Anos de Cinema em Belo Horizonte”. É também pesquisador, integrando o Centro de Pesquisadores do Cinema Brasileiro, tendo publicado o livro “Pioneiros do Cinema em Minas Gerais”. Nessas duas especialidades, participou de vários cursos de cinema coordenados pelo Centro de Estudos Cinematográficos – CEC e fez palestras a convite de entidades, como a Universidade Católica de Minas Gerais.