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Cultura

HOJE É DIA DE ROCK!!

O dia 13 de julho é reconhecido no Brasil como o Dia Mundial do Rock. A data celebra anualmente o rock e foi escolhida em homenagem ao Live Aid, megaevento que aconteceu nesse mesmo dia em 1985. O Live Aid, um show simultâneo realizado em Londres, na Inglaterra e na Filadélfia, nos Estados Unidos, foi motivado pelo fim da fome na Etiópia.

O evento chamou a atenção por contar com a presença dos maiores artistas da época. Entre os participantes, estavam The Who, Status Quo, Led Zeppelin, Dire Straits, Madonna, Queen, Joan Baez, David Bowie, BB King, Mick Jagger, Sting, Scorpions, U2, Paul McCartney, Phil Collins – que tocou nos dois lugares-, Eric Clapton e Black Sabbath. Como tocou nos EUA e na Inglaterra, Phil Collins declarou que gostaria que aquele fosse considerado o “dia mundial do rock”.

Apesar de se chamar “Dia Mundial do Rock”, a data só é comemorada no Brasil. Ela começou a ser celebrada em meados dos anos 1990, quando duas rádios paulistanas dedicadas ao rock – 89FM e 97FM – começaram a mencionar a data em sua programação. A celebração foi amplamente aceita pelos ouvintes e, em poucos anos, passou a ser popular em todo o país. Entretanto, até hoje, essa data é completamente ignorada em todo o resto do mundo.

Rock Mineiro

Foi com a Cube da Esquina que a música produzida em Minas Gerais ganhou o Brasil e um termo genérico, mas bem específico, referente à música produzida entre montanhas e distante dos centros mais importantes do país: música mineira. Não foi difícil transpor esse termo quando o rock produzido entre montanhas começou a ganhar espaço nos palcos do mundo, talvez com uma de suas maiores referencias mundiais, o rock pesado do Sepultura, mais conhecido como heavy metal, que primeiro ganhou o mundo, para depois ser reconhecido em solo pátrio. Foi nesse cenário que o rock produzido em Minas Gerais a partir dos anos de 1980 ficou conhecido nacionalmente como Rock Mineiro.

A história

De acordo com Ricardo Alexandre, no livro Dias de Luta: o Rock e o Brasil dos anos 80 (2002, p. 314), o cenário teve suas origens no pequeno circuito formado pelas danceterias Ponteio e Cine-Show Santa Tereza, que recebiam grandes nomes do pop rock brasileiro e permitiam que bandas locais fizessem a abertura desses shows. Esteticamente, as bandas da região se dividiam em três turmas: a Tribo de Selos, alinhado ao rock progressivo e ao hard rock (como as bandas Kamikaze e Serpente); os grupos criados ao redor da UFMG, influenciados pelo pós-punk (Último Número, Sexo Explícito, O Grande Ah!…); e um grupo revelado pelos festivais do Colégio Pitágoras, de caráter mais pop e influenciado pelo rock carioca (Pouso Alto, Circuito Fechado, Transe em Transe e Nero).

Paralelamente, o rock progressivo e sinfônico de Marcus Viana vinha com o Sagrado Coração da Terra, e o folk-rock instrumental ganhava força com a rápida ascensão de Marco Antônio Araújo, músico de formação clássica que faleceu precocemente, no auge de sua carreira, em 1986. Seguindo a trilha do grupo paulista O Terço, Flávio Venturini consolidava, ao lado do irmão mais novo, Cláudio Venturini, o rock mineiro com a banda 14 Bis, que gravou seu primeiro LP em 1979, já despontando para o sucesso, atravessando modismos e gerações.

Em 1987, o selo Plug lançou a coletânea Rock Fort, com diversas faixas desse cenário roqueiro de Minas Gerais, porém não obtiveram muito sucesso. A banda mais sucedida nesse contexto foi a Sexo Explícito, com dois álbuns elogiados pela Eldorado de São Paulo. Fora desse circuito, havia a comunidade do Heavy Metal. A cena foi tomada pela banda de metal Sepultura, criada em 1984 pelos irmãos Max Cavalera e Igor Cavalera, que trazia o death metal e thrash metal com elementos de música tribal indígena, africana, japonesa e outros estilos. Logo em seguida, a Cogumelo Records, gravadora independente de Belo Horizonte, lançou inúmeras outras bandas de metal como Overdose, Sarcófago, Chakal, Explicit Hate, Attomica, Mutilator, Sextrash e Impurity, transformado o Heavy Metal mineiro num dos mais representativos do país.

Sepultura, um marco!

A banda Sepultura só foi ter reconhecimento nacional após uma publicação da revista britânica New Musical Express, que colocou a banda duas posições à frente da banda renomada New Order. “Justamente no momento em que todas as portas se fechavam para o rock no Brasil, uma banda mineira de trash metal chegava à matriz do rock, dando um chapéu na política das grandes gravadoras, nos jabaculês e nos hypes da mídia. ‘Não nos valemos de nada no circuito brasileiro’, lembra o guitarrista Andreas Kisser (da banda Sepultura). ‘Batalhamos tudo sozinhos. Não fazíamos o tipo de música que tocava na rádio, nem o tipo de música que se gravava a sério no Brasil”. A partir de então, aliado ao surgimento do Rock in Rio em 1985, a cena de heavy metal ganhou força na mídia e também nos fãs.

O Pop-Rock mineiro

O começo da década de 90 em Minas Gerais foi marcado pelo surgimento de bandas que misturavam o rock ao estilo musical reggae e estilos brasileiros como o samba, maracatu, baião, entre outros, como é o caso da banda de sucesso Skank, formada pelo antigo integrante da banda Pouso Alto, Samuel Rosa, pelo tecladista Henrique Portugal e pelo baterista do Circuito Fechado Haroldo Ferretti. Mais tarde, vieram à tona os nomes Wilson Sideral e Flávio Landau. Já no final da década, com influência do pop rock, soul e funk, surgem os grupos mineiros J. Quest, depois Jota Quest, Virna Lisi, Tianastácia e Patu Fu.

No final da década de 90, destacou-se o surgimento das bandas Cálix e Cartoon, expoentes do rock progressivo mineiro, que também fundaram a Orquestra Mineira de Rock, juntamente com a banda Somba.

Hoje não se vê o rock mineiro se renovando ou produzindo novos nomes. O que se constata entre tantos nomes e bandas é que o tradicional rock mineiro se encontra diluído nas bandas atuais, com a maior parte delas trazendo a marca de sua geração.