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Cultura

25 DE JULHO: DIA NACIONAL DO ESCRITOR

Foto: Estátua de Carlos Drummond de Andrade no Rio de Janeiro

É muito forte a tradição literária em Minas Gerais. Nessa terra de montanhas, nasceu um dos maiores escritores brasileiros, João Guimarães Rosa, e um dos maiores poetas deste país, Carlos Drummond de Andrade. Pela expressividade de seus representantes na literatura nacional, Minas Gerais comemora regularmente o Dia Nacional do Escritor, celebrado tradicionalmente em 25 de Julho.

A data foi instituída pelo ministro da Educação e Cultura do Brasil no ano de 1960, Pedro Paulo Penido. O ministro queria homenagear escritoras e escritores brasileiros naquela data, quando da realização do I Festival do Escritor Brasileiro, patrocinado pela União Brasileira de Escritores (UBE), que ocorreu no dia em 25 de julho daquele ano.

Desde então, o Dia Nacional do Escritor conta com solenidades e pequenos eventos em escolas, bibliotecas, espaços culturais, academias de letras e órgãos públicos. A data é propícia para a reflexão e divulgação das obras literárias e seus autores, que sempre enfrentam dificuldades para produção e divulgação de seus trabalhos, bem como em relação a questões legais que envolvem o direito de autor. É também uma data oportuna para ações que visem à valorização da literatura nacional e que busquem incentivar a leitura de obras brasileiras. Assim, bibliotecas e editoras podem aproveitar esse dia para divulgar os clássicos da literatura nacional e apresentar obras contemporâneas de autores e autoras de novos talentos. Já às escolas cabem a valorização e enaltecimento da cultura brasileira a partir da divulgação das obras e de informações sobre os seus autores ou autoras. 

João Guimarães Rosa, o encantado!

Considerado o maior escritor brasileiro do século XX, João Guimarães Rosa nasceu na pequena Cordisburgo, cidade a 110km de Belo Horizonte, no dia 27 de junho de 1908. Formado em medicina, Rosa foi diplomata e tomou posse na Academia Brasileira de Letras em 1967, vindo a falecer três dias depois, de infarto, no mesmo ano em que foi indicado ao Prêmio Nobel de Literatura.

Os contos e romances escritos por Guimarães Rosa ambientam-se quase todos no sertão mineiro, que ele chama de os gerais. A sua obra destaca-se, sobretudo, pelas inovações de linguagem, sendo marcada pela influência de falares populares e regionais que, somados à erudição do autor, permitiu a criação de inúmeros vocábulos a partir de arcaísmos e palavras populares, invenções e intervenções semânticas e sintáticas.

Como diplomata e homem de cultura enciclopédica, Rosa declarou: “eu falo: português, alemão, francês, inglês, espanhol, italiano, esperanto, um pouco de russo; leio: sueco, holandês, latim e grego (mas com o dicionário agarrado); entendo alguns dialetos alemães; estudei gramática; do húngaro, do árabe, do sânscrito, do lituano, do polonês, do tupi, do hebraico, do japonês, do checo, do finlandês, do dinamarquês; bisbilhotei um pouco a respeito de outras. Mas tudo mal. E acho que estudar o espírito e o mecanismo de outras línguas ajuda muito à compreensão mais profunda do idioma nacional. Principalmente, porém, estudando-se por divertimento, gosto e distração”.

Ainda pequeno, mudou-se para a casa dos avós, em Belo Horizonte, onde concluiu o curso primário.

Sua obra mais marcante foi Grande Sertão: Veredas, romance qualificado por Rosa como uma “autobiografia irracional”, marcada por elementos regionalistas, existencialistas e religiosos. Traduzindo em mais de 50 idiomas, o clássico da literatura brasileira tornou-se minissérie da Rede Globo na década de 1980, com grande sucesso.

Carlos Drummond de Andrade, o Poeta Maior

Carlos Drummond de Andrade nasceu em Itabira, cidade histórica de Minas a 115km de Belo Horizonte, no 31 de outubro de 1902. Considerado o maior poeta brasileiro, sendo chamado de o Poeta Maior, Drummond foi também um grande cronista, escrevendo regularmente nos principais jornais do país.

Farmacêutico por formação, Drummond foi o principal poeta da segunda geração do modernismo brasileiro, embora sua obra não se restrinja a formas e temáticas de movimentos específicos. Os temas de sua poesia são vastos e empreendem desde questões existenciais, como o sentido da vida e da morte, passando por questões cotidianas, familiares e políticas, como a utopia socialista, dialogando sempre com correntes tradicionais e contemporâneas de sua época.

Durante a maior parte da vida, Drummond foi funcionário público, embora tenha começado a escrever cedo e prosseguisse escrevendo até seu falecimento, que se deu em 1987, no Rio de Janeiro, doze dias após a morte de sua filha Maria Julieta.

Com um obra extensa, dada a longevidade do poeta, Drummond produziu livros infantis, contos e crônicas. Sua morte ocorreu por infarto do miocárdio e insuficiência respiratória. O dia de seu nascimento é celebrado também como o Dia da Poesia, 31 de outubro.