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Cultura

ÓPERA OPERÁRIA | Formandos da Escola de Teatro do CEFART

O impacto da pandemia na vida cotidiana ainda traz consequências aos planejamentos e sonhos projetados antes da Covid-19. Os alunos e alunas do Cefart também não passaram incólumes ao período de distanciamento social imposto pela alta circulação do vírus. As turmas da Escola de Teatro, que teriam as formaturas realizadas em dezembro 2021, encerram agora o ciclo de aprendizado e levam ao público dois espetáculos sobre temas caros à contemporaneidade. “Ópera Operária”, da turma da noite, joga luz sobre a importância da cultura do funk como meio de emancipação artística, individual e coletiva e ainda discute como a precarização do mercado de trabalho afeta os sujeitos de maneiras diversas.  Com sessões gratuitas, de quinta a domingo, as apresentações acontecem a partir do dia 4 de agostono Teatro Francisco Nunes.

ÓPERA OPERÁRIA, uma luz sobre a cultura funk

Dividida em um prólogo e três atos, a peça é inspirada livremente na obra “Revolução na América do Sul”, do dramaturgo carioca Augusto Boal e carrega referências do pensamento e do teatro negro do intelectual paulista Abdias Nascimento. Com dramaturgia assinada pela poeta-slammer Nívea Sabino e por Rogério Coelho, profissional da cena e organizador do Slam Clube da Luta, o texto parte da investigação das relações de trabalho e da potência transformadora do funk enquanto expressão artística e movimento cultural. O espetáculo, que ganha vida de 4 a 14 de agostosempre às 20h, no Teatro Francisco Nunes, conta com onze artistas formandos da Escola de Teatro do Cefart. A turma é a primeira a terminar o curso após a implementação da Política de Ações Afirmativas do Cefart, que destina 50% das cotas a alunos provenientes de escolas públicas, negros ou indígenas. Toda a equipe contratada para a “Ópera Operária” é composta por negros.

O título “Ópera Operária” vem de uma associação dos motes centrais do enredo com a música que ressoa dentro do espetáculo, que traz trilha sonora inédita, criada especificamente para a peça a partir de estudos de canções ancestrais, afros e, é claro, do funk. O jogo de linguagem presente no nome pretende deslocar o imaginário que a ópera usualmente produz nos indivíduos. A perspectiva é aproximar a população de uma obra que tem a canção como meio para desenvolvimento da ação, mas que é pensada a partir da cultura que se molda, e se ressignifica, no corpo da sociedade periférica brasileira.

O espetáculo alia elementos épicos aos dramáticos, não tendo uma fábula ou uma narrativa que conduza todos os eventos da peça de forma linear. Numa referência quase direta à obra de Boal, que concebeu a figura do “José da Silva”, a montagem apresenta as várias histórias de “Da Silva”, personagens alegóricos criados pelos dramaturgos para representar a vida, os sonhos e o comportamento dos indivíduos em meio à precarização das condições laborais. “As alegorias representam o ápice do que o trabalho pode gerar no corpo e na vida dos sujeitos. Elas representam a dor, a loucura, o cansaço, a falta de tempo e do cuidado para si”, explica Rainy Campos, professora da Escola de Teatro do Cefart e diretora da montagem “Ópera Operária”.

Para conceber a dramaturgia, a peça mescla procedimentos de criação do slam e da linguagem teatral. Por meio de práticas de escrita, os estudantes também participaram da criação da peça, sendo provocados a produzirem textos relacionando o universo temático do espetáculo com suas próprias vivências e histórias de vida. “O processo criativo, de desenvolvimento da montagem, foi mais um aprendizado do curso. Fomos instigados a realizar alguns exercícios por meio da escrita como forma de elaborar as nossas próprias relações com o trabalho. Trouxemos aquilo que era particular para o coletivo e isso nos permitiu adentrar ainda mais nos problemas que circundam o tema”, conta Augusta Barna, formanda da Escola de Teatro do Cefart e uma das atrizes do elenco de “Ópera Operária”.

Manifestação cultural da classe operária, da população brasileira periférica, a poesia slam e o funk permeia toda montagem do espetáculo. “Essas duas manifestações da arte e da cultura tem chegado em todos os cantos. Elas pulsam nas esquinas, nas ruas, nos bairros. Entendemos que o funk, pelo seu grande alcance, possa gerar uma transformação cultural ainda mais potente, ser um impulsionador de uma revolução pelos corpos, pela sonoridade”, aponta Rainy.

FICHA TÉCNICA – ÓPERA OPERÁRIA

Direção: Lucas Fabrício e Rainy Campos | Elenco: Allan Andrade, Arthur Rogério, Augusta Barna, Clarissa Tomasi, Giuli Paz, Gustavo Faraco, Ivo Ivo Ivo, Izabelle Quites, Leon Ramos, Mercedes Stephani, Rafa Goulart | Direção Musical: Rainy Campos | Dramaturgia: Nívea Sabino e Rogério Coelho | Coordenação de Produção: Fabiana Brasil | Assistente de produção: Suellen Sampaio | Preparação corporal e FUNK: Negona Dance (Welleton Carlos) | Técnica Circense: Jeiza da Pele Preta | Preparação vocal: Rainy Campos | Preparação musical: Iberê Sansara e Rainy Campos | Arranjos musicais: Iberê Sansara | Musicistas: Bella Tymburibá, Brenda Vieira, Juju Britto | Trilha Sonora DJ: Black Josie | Figurino e adereços: Anderson Ferreira e Lira Ribas | Maquiagem: Eli Nunes | Cenografia: Lucas Fabrício e Rainy Campos | Desenho de luz: Veec Santos | Assistência de Iluminação: Naluh Ribeiro | Operação de luz: Naluh Ribeiro e Veec Santos | Orientação teórica: Melina Rocha | Corpo Docente da Escola de Teatro: Ana Hadad, Bruno Maracia, Istéfani Pontes, Júlio Viana, Lucas Fabrício, Luís Carlos Garrocho, Paulo Maffei, Polyana Lott, Rainy Campos, Rogério Araújo, Thalita Motta, Vinícius Souza

Informações

Local

Teatro Francisco Nunes

Horário

Ópera Operária | 20h

Informações para o público

(31) 3236-7400